Irregularidades em hospitais públicos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Rubens Chueire Jr. <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Problemas estruturais e de gestão comprometem o atendimento nos hospitais públicos dos principais centros urbanos do Paraná. Existem muitos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) desativados, sem enfermarias equipadas, e que poderiam melhorar a situação no Estado. A lista de irregularidades tem ainda centrais de leitos sem controle real sobre a disponibilidade de vagas, hospitais regionais e universitários com graves problemas estruturais e instituições com menos funcionários que o necessário para o atendimento ou onde os profissionais, mesmo recebendo, não aparecem para trabalhar.
Esses problemas foram constatados em visitas a 32 hospitais nas cidades de Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Paranavaí, Pato Branco, Francisco Beltrão, Ponta Grossa, Umuarama, Toledo, Guarapuava, Palmas e Paranaguá. Constam da conclusão do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Leitos do SUS. O resultado das investigações dos parlamentares foi apresentado ontem na Assembleia Legislativa.
''Há casos de irregularidades extremamente graves e que deverão merecer uma atenção urgente por parte das autoridades', destacou o relator da comissão, deputado Marcelo Rangel (PPS).
A CPI também constatou que alguns municípios desviam o atendimento de porta de entrada, em especial na área de ortopedia. Além disso, foram detectados casos de superlotação, falta de humanização nos procedimentos e descumprimento das determinações indicadas pelas fiscalizações da Vigilância Sanitária sem penalização dos gestores hospitalares omissos.
''Outro problema sério é o excesso de funcionários em todos os hospitais públicos quando comparados com hospitais privados. Isso é resultado de uma má-gestão'', afirmou o deputado Leonaldo Paranhos (PSC), presidente da CPI.
De acordo com o relatório, os deputados puderam perceber que o Departamento Nacional de Auditoria do SUS no Paraná (Denasus) encontra-se desaparelhado e sem funcionários auditores. Além disso, a falta de isenção de alguns conselhos municipais de saúde vinculados às administrações municipais.
Para elaboração do documento foram percorridos mais de 50 mil quilômetros entre 27 de abril e 8 de outubro. O relatório será encaminhado ao Ministérios Públicos Estadual e Federal e Tribunais de Contas do Estado e da União.
Segundo o secretário estadual de Saúde, Michele Caputo Neto, há um entendimento da necessidade de se investir para melhorar a situação do atendimento no Estado, mas que muito já está sendo feito. ''Apoiamos os trabalhos da CPI e vamos acatar as recomendações feitas'', declarou.
Caputo Neto também informou que deve se reunir na quinta-feira com o secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) para avaliar a situação dos hospitais universitários do Paraná.


