Irmãs siamesas nascem no HU
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quarta-feira, 09 de dezembro de 2009
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Londrina - Pouco mais de três anos após o nascimento de Guilherme e Gabriel, que nasceram unidos pelo tórax e abdome, médicos do Hospital Universitário de Londrina (HU) fizeram ontem o parto de Maria Eduarda e Maria Vitória, gêmeas siamesas que nasceram com 28 semanas de gestação, pesando 2.650 gramas. Elas são ligadas pelo tórax e possuem um só coração. As irmãs, que nasceram de cesariana por volta das 9h30, permaneciam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal ontem à tarde.
O médico obstetra Ignácio Teruo Inoue, responsável pelo parto, explicou que a mãe, Edneia Ipolito, de 29 anos, estava internada desde domingo, sendo medicada para conter o processo de dilatação do útero. A ideia era retardar o parto até o início de janeiro, mas não foi possível. Inoue explicou que uma equipe médica está avaliando o caso para determinar o que será possível ser feito. O que mais preocupa neste momento é a prematuridade dos bebês e as complicações inerentes à falta de amadurecimento dos órgãos. As primeiras horas de vida das crianças são determinantes. Temos que esperar para ver qual será a evolução do caso, disse o médico, lembrando que um dos riscos é que os bebês apresentem insuficiência respiratória.
O procedimento de separação das irmãs, segundo Inoue, será definido de maneira minuciosa e terá que ser feito somente quando elas apresentarem condições de suportar a cirurgia. Por enquanto não dá para dizer o que será feito. Ainda não sabemos, por exemplo, se há outros órgãos em conjunto e qual criança está melhor preparada para sobreviver, já que só há um coração.
Inoue recordou que no caso dos irmãos Guilherme e Gabriel a separação e a sobrevivência de ambos foi possível porque cada um tinha um coração. Os dois estavam unidos pelo tórax e abdome, de frente um para o outro, e tinham o fígado e o pericárdio, membrana que envolve o coração, unidos. Eles foram separados aos cinco meses, durante uma cirurgia que envolveu duas equipes com 19 profissionais.
Edneia Ipolito, mãe de outras quatro crianças que têm entre 11 e quatro anos, passa bem e, até a tarde ontem, aguardava notícias de Maria Eduarda e Maria Vitória. Nunca imaginei que teria gêmeas. Agora tem que esperar para ver o que vai acontecer. Só quero que dê tudo certo, disse, resignada. Edneia mora com a família no Jardim União da Vitória. Ela contou que não conseguiu fazer enxoval para os bebês e o marido está desempregado.
De acordo com o médico Ignácio Inoue, a gestação gemelar de siameses é decorrente de uma má-formação que acontece no início da divisão celular, que se dá tardiamente, após o 13º dia de fecundação. Estamos diante de um caso raro, que acontece uma vez a cada 50 mil gestações. Nos casos de gêmeos siameses geralmente há uma só placenta e uma bolsa amniótica, o que corresponde a menos de 2% das gestações múltiplas, detalhou o obstetra.
O HU já realizou três cirurgias se separação de siameses. No ano de 1971, Londrina ficou conhecida em todo o País pelo caso das gêmeas Marta e Maria, que foram separadas na Santa Casa.


