Quando se fala em investimentos sociais em áreas dominadas pelo tráfico de drogas, se reforça a necessidade de iniciativas, mesmo que seja despertada com um pequeno projeto voluntário. ''Quando chegamos aqui no (Jardim) Nossa Senhora da Paz, as crianças não tinham educação, viviam nas ruas e nos abordavam pedindo dinheiro. Começamos informalmente, há 27 anos, atendendo apenas quatro crianças e conhecendo a realidade do local'', revela o padre Lino Stahl, da Paróquia Nipo-Brasileira Imaculada Conceição, mantenedora do Centro de Educação Infantil (CEI) Irmãs de Betânia, que atende 76 crianças a partir de 3 anos, sendo a maioria assistida em período integral.
A entidade filantrópica também promove há 16 anos o projeto ''Sinfonia Musical'', que envolve 100 alunos da comunidade, entre 5 e 17 anos. ''Hoje, nosso trabalho é tão reconhecido, que somos muito respeitados por todos, pois eles entenderam que a nossa missão é melhorar a vida da comunidade. Já ficamos no meio do 'fogo', mas nunca deixamos de fazer nosso trabalho e acho que graças a isso nunca fomos atingidos diretamente por esses problemas do bairro.''
Muito respeitado por manter uma proximidade em toda a favela, padre Lino ressalta que a atuação e implantação de projetos sociais em locais liderados por traficantes só é possível quando há respeito à toda comunidade. ''E aqui trabalhamos tranquilamente porque nosso objetivo é resgatar e ensinar os bons valores. Queremos que as pessoas acreditem que são dignas de conseguir um trabalho, ter uma casa, estudar e ter uma vida correta e de qualidade. Pelo menos essas crianças estão tendo essa oportunidade e fazer, quem sabe, melhores escolhas para o futuro.'' (M.O.)

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