Irmãs Daiane e Daniele esperam uma família
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de julho de 1997
Da Redação 
As irmãs Daiane e Daniele estão entre as crianças que vão ter os nomes encaminhados ao Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) para adoção internacional.
Elas vivem em uma das cinco instituições da Cidade há quase quatro anos e, apesar de todo o trabalho de busca, não foi possível descobrir quem são ou onde estão seus pais. Elas não tinham nenhuma documentação, o que impossibilita inclusive saber ao certo as suas idades. Calcula-se que Daiane tenha cerca de 7 anos e Daniele, 6.
Elas foram encontradas andando pelas ruas da Cidade e afirmam não lembrar dos nomes dos pais. Minha mãe mentiu para a gente. Estava muito frio e ela disse que ia buscar umas roupas e voltava. Deixou a gente na calçada e nunca mais apareceu, conta Daiane. Na lembrança de Daiane, estão ainda um pai que bebia e não trabalhava e outros quatro irmãos: Josiel, Valdir e Josiane (maiores que ela) e Danilo, ainda bebê.
Mais faladeira, Daniele diz que nunca teve um lugar para morar. A gente vivia em uma favela, só tinha uma lona para cobrir e todo mundo passava fome. Aqui é bem melhor, fala, referindo-se à casa-lar onde estão desde que foram abandonadas. As duas meninas parecem tranquilas e decididas a encontrar uma família que realmente as queira. Mas Daiane faz uma ressalva: não quer ser adotada junto com a irmã Daniele. Tímida, ela não explica por que, mas dá a entender que quer um pai e uma mãe só para ela.
Daniele não concorda, e diz que quer continuar com a irmã. Eu tenho medo de dormir sozinha. Tenho muito pesadelo.
(Célia Baroni)


