Uma alegria emocionante. Essa foi a expressão utilizada por Antônio Vilaça Ribeiro, 70 anos, para descrever a sensação de reencontrar o irmão mais velho Manuel Ribeiro Vilaça, 79, depois de 60 anos de separação. Por uma feliz coincidência do destino - ou milagre da tecnologia -, uma das filhas de Manuel, Elizete Fernandes Vilaça, conseguiu localizar o tio por meio de um site de relacionamentos, em outubro passado, e ontem os irmãos estiveram juntos pela primeira vez em muito tempo.
''Meu pai teve um derrame há quatro anos e desde então chorava muito, pensando que nunca mais veria os familiares'', declarou Elizete, contando que o pai deixou a cidade de Carinhanha, na Bahia, aos 18 anos, para trabalhar em São Paulo e nunca mais voltou. ''Ele não conseguiu emprego em São Paulo e então veio para o Paraná.''
Em Bela Vista do Paraíso (Norte), Manuel se casou e teve seis filhas. Trabalhando como pedreiro, ele nunca conseguiu juntar dinheiro suficiente para visitar a família baiana. ''Na última carta que mandou, ele contava que havia casado com uma professora e já tinha quatro filhas. O sonho do meu pai era conhecer as netas, mas ele morreu antes'', comentou Darci Ribeiro Vilaça, 68, outra irmã de Manuel que também o reencontrou ontem.
Segundo Elizete, as últimas notícias dos avós e tios chegaram há mais de 40 anos, quando ela ainda era criança. ''Eles perderam o endereço do meu pai e nunca mais se falaram. Depois fui descobrir que Antônio e Darci haviam se mudado para São Paulo'', reiterou a filha, citando que a última carta que o pai recebeu da Bahia foi de uma irmã que mandou uma foto de seu casamento: ''Mas até ela já morreu.''
Emocionada em poder realizar esse último desejo do pai, que está internado na Santa Casa de Londrina, se recuperando de uma pneumonia e uma infecção urinária, Elizete espera ainda a chegada de mais um tio, Joaquim, 64, que vive na Bahia, na próxima terça-feira.
''Deixei um recado na comunidade da família Vilaça, no Orkut, e uma das filhas de Joaquim entrou em contato comigo. Ela citou os nomes dos meus avós e todos os nomes dos irmãos do meu pai como sendo parentes dela e foi ai que nos reconhecemos como primas'', detalhou Elizete, que organizou um almoço de confraternização na casa da mãe, ontem.
Mesmo debilitado e sem poder se comunicar direito, Manuel reconheceu os irmãos e transpareceu a alegria do reencontro pelo olhar. ''Ele lembrou da gente e do nome dos nossos pais'', assinalou Darci, enquanto beijava o irmão mais velho. Já Antônio era só lágrimas ao rever o irmão com quem costumava brincar aos dez anos de idade. ''Foi uma surpresa e tanto, uma benção de Jesus'', resumiu.

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