Irmãos buscam preservar símbolo de Rolândia
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segunda-feira, 08 de agosto de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Rolândia - ''Nada é eterno''. Carlitos Unbehaun, de 71 anos, fala a conhecida verdade, mas no fundo torce para que seja mentira. Ele e seus dois irmãos Arthur, 81, e Paulo, 67, não querem viver para sempre. A família se contenta que o local onde trabalharam desde a infância continue existindo. A Chácara Rolândia, que é um símbolo da cidade de 57 mil habitantes, foi colocada à venda, mas os irmãos sonham que ela seja conservada e se torne patrimônio municipal.
Criada em 1937, com a vinda do patriarca da família Unbehaun de Santa Catarina, a história da Chácara Rolândia se entrelaça com o surgimento da própria cidade e a colonização do Norte do Paraná.
De acordo com o presidente do Conselho de Turismo da cidade, Jaime Freiberger, ''a chácara é uma referência.'' ''Quando turistas da Alemanha e de outros locais passam pelo município sempre visitam a chácara. Sem contar as escolas que levam alunos para conhecer as árvores do local'', conta.
E o que tanto atrai os visitantes? Um simples passeio pelo local de natureza preservada e belezas naturais é suficiente para saber o que atrai os turistas. Quando o pai dos irmãos Unbehaun chegou nos anos 1930, a região era de difícil acesso e não passava de mata virgem. ''Ele fez uma casa de troncos palmito'', relata Carlitos, mostrando uma fotografia da edificação e apontando: ''Eu sou esse bebê.''
Paulo Unbehaun, que ainda não havia nascido na data da foto, diz que o amor pela terra e os seu frutos foi uma herança deixada pelo pai. ''Começamos a trabalhar com 7, 8 anos, acompanhando papai. Ele amava a terra e a gente ficou com isso'', diz.
Arthur, o mais velho dos irmãos, não participou da entrevista porque, segundo a família, não está em condições de saúde. ''Ele é o que está mais sentido com a venda e também por não conseguir mais trabalhar aqui'', comenta Carlitos. Apesar da idade, ele e Paulo ainda labutam no local, ''todo dia das 6h30 da manhã até 6 da tarde.''
No pequeno escritório da chácara, localizada na Avenida Itamaraty, próximo ao portal da cidade, na saída para Londrina, Carlitos faz questão de mostrar um documento de 1948: ''O prefeito de Cavíuna (o nome de Rolândia mudou por causa da 2 Guerra Mundial) concede alvará para venda de plantas naturais e flores.''
Carlitos conta que o pai era considerado louco na época. ''Ele viajava de trem, maria-fumaça, e trazia mudas nas malas. Alguns viam e falavam: você vai levar muda para o meio do mato? Mas era o que gostava de fazer, e na época não tinha outro lugar. As pessoas chegavam e queriam fazer um pomar de laranja, por exemplo, e procuravam papai.''
Com o tempo a família plantou raridades. Hoje figuram entre os itens de visitação: a árvore mais alta da chácara - uma jovem de cerca de 20 anos da família das sequoias - com aproximadamente 20 metros de altura, a palmeira Bismark, natural das Ilhas Canárias, um pândanos de 15 anos, com suas raízes externas ligadas nos galhos, a palmeira Sete Pés, que não tem tronco, além da nolina de 50 anos, de origem australiana, que é popularmente conhecida como ''pata de elefante''. Também são encontradas árvores mais comuns, como pau-brasil, pau ferro, erva-mate.
No início da década de 90, os irmãos Unbehaun receberam a visita de um dos mais famosos paisagistas do século passado: Roberto Burle Marx, que morreu pouco depois, em 1994. ''Ele veio e levou algumas mudas para o Rio de Janeiro'', recorda.
Apesar de terem herdeiros, os irmãos decidiram vender a chácara, pois os filhos e netos não têm interesse em manter o lugar. ''É uma outra geração, que vive em frente ao computador, à televisão, internet. Não querem saber de terra. A própria Bíblia fala que de pai para filho até passa, mas para a terceira geração, não'', lamenta Paulo.
Para amenizar, ele brinca: ''Quem gosta de terra é a gente, que é tatu''. E Carlitos vai além, e diz que ''se você analisar a juventude de hoje é complicado.'' ''Mudou tudo. Um casamento hoje mais parece um desfile de moda, passa três meses e os casais já não se suportam. Meu pai falava há 30 anos que iria surgir a 'Era do Plástico', e é verdade. Hoje tem planta, flor, quase tudo que você vê é feito de plástico. Tem até bolo que enfeita festa de casamento e é de plástico.''


