Rio Branco, 13 (AE) - A família Pascoal continua unida como sempre foi e acredita que o ex-deputado Hildebrando Pascoal (PPB), acusado de comandar um grupo de extermínio com tentáculos no narcotráfico, já demonstrou que não tem nada a temer e que quer provar sua inocência. "Em nenhum momento Hildebrando tentou fugir e você acha que, se ele quisesse realmente fugir, não teria fugido agora?", pergunta o deputado estadual Cosmoty Pascoal (PPB), irmão de Hildebrando. E responde: "Se quisesse, tinha saído, porque todo mundo aqui é amigo dele, mas não, ele quer é provar a própria inocência." Cosmoty é uma homem magro, altura bem acima da média local, educado, bom de prosa e simples.
E faz questão de enaltecer a simplicidade, demonstrada logo à entrada da casa em que vive com a mulher e uma das filhas. "E aí, tudo bem?, o que achou da casa de traficante?, pode fotografar tudo o que quiser", disse, com ironia, à reportagem do Estado, quando chegou da casa de seu irmão Silas em frente da sua, no humilde bairro 15.
A casa é realmente simples. Feita em madeira, é uma autêntica palafita construída num terreno à beira do Rio Acre. "E num terreno herdado do meu avô, que trabalhou aqui durante mais de 70 anos", explica Cosmoty.
Saga - A saga da família Pascoal começou na década de 20
quando Pedro Pascoal Duarte Pinheiro mudou-se para o Estado egresso de Pernambuco. Aportou em Sena Madureira, município distante 170 quilômetros da capital. Vendia mantimentos para os seringueiros. Evoluiu e montou uma fábrica de gelo. Teve dez filhos. Pela ordem: Miriam Pascoal, médica; Silas Pascoal, sargento reformado da PM; Hildebrando Pascoal, coronel reformado da PM e ex-deputado federal; Itamar Pascoal, sub-tenente da PM assassinado há três anos; Pedro Pascoal, dentista; Cosmoty Pascoal, técnico agrícola e deputado estadual pelo PPB; Sete Pascoal, dentista e funcionário público; Suzy Pascoal, médica; e Diana e Lucas, do segundo casamento.
Cosmoty não esconde o orgulho ao falar da família. "Trabalhamos muito, progredimos, mas tudo o que temos está aí, a maior parte herdada; não temos carrão ou ouro para sermos chamados de traficantes, não", argumenta.
Ele atribui as denúncias a uma perseguição política para afastá-los do poder e diz que, se houver justiça, o irmão Hildebrando será considerado inocente. A seguir, os principais trechos da entrevista exclusiva ao Estado. Agência Estado - O ex-deputado federal Hildebrando Pascoal está sendo acusado de vários crimes e outros membros da família, também... Cosmoty Pascoal - Isso tudo não passa de uma estratégia política
de grupos contrários a nós, que querem acabar com a nossa família. Agência Estado - Mas as denúncias estão sendo aceitas pelo Poder Judiciário e há várias testemunhas. Pascoal - Tudo isso começou quando Hildebrando apresentou projeto de lei em Brasília, propondo o fim das vantagens do Poder Judiciário. A CPI do Acre comprou testemunhas para incriminar a família Pascoal. Estão falando de todos, até de mim. Eu abro todas as minhas contas e renuncio à minha imunidade parlamentar. Desafio os outros a fazer isso, se é que têm coragem. Agência Estado - Deputado, mas os crimes não têm, aparentemente, nenhum indício de motivação política. Pascoal - Não há provas. As testemunhas que estão depondo são assaltantes, traficantes, enfim, pessoas que têm todos os motivos para não gostar do Hildebrando. Ele os colocava atrás das grades. Agência Estado - No caso do mecânico Agílson Santos Firmino, que foi esquartejado e morto, o ex-deputado Hildebrando Pascoal ofereceu até recompensa pública de R$ 50 mil? Pascoal - Mas isso realmente ocorreu. O Hildebrando pôs os cartazes pedindo informações para nós e para a polícia, porque esse camarada (José Hugo) que matou o nosso irmão Itamar , já havia assassinado outras pessoas em diversos Estados e era procurado pela polícia do Brasil inteiro. Talvez ele tenha forjado o assassinato do Baiano para incriminar a nossa família. Dizem que ele foi encontrado morto no Piauí, mas não temos certeza disso. Agência Estado - E os casos do policial civil José Ayala e do bombeiro Sebastião Crispim, mortos logo depois que prometeram depor no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça? Pascoal - O Crispim frequentava muito a minha casa, adoro a família dele e eles também gostam de nós. Que interesse teríamos em matá-lo? Ele era PM e, como quaquer um, tem inimigos. Tanto que ele pediu para ser transferido para o Corpo de Bombeiros ao Hildebrando. E ele o colocou lá. Agência Estado - O caso Ayala? Pascoal - A família dele também é amiga da gente, mas o conheci pouco. Só ficamos sabendo da morte dele pelos jornais. Agência Estado - E a droga colocada nos marmitex, distribuídos na última eleição, cuja acusação foi aceita pela Justiça Eleitoral quinta-feira? Pascoal - Isso é um absurdo. Nunca compramos marmitex nenhum, nem sequer estávamos na cidade no dia da eleição. Fugimos do burburinho. O engraçado é que só agora estão falando disso, por que será? Tenho certeza que os eleitores servirão de testemunhas
porque isso não ocorreu. Nós vivemos do trabalho, eu vacino gado no fim de semana de madrugada, meu irmão Silas tem as mãos duras como um trator de esteira de tanto trabalhar, somos simples, não andamos armados e não temos segurança. Não temos medo de nada. Agência Estado - E o crime do capitão do Exército, Moacir José da Silva? Pascoal - O Itamar matou. E disse em juízo que, se ressuscitasse cem vezes, mataria 101. Dizem que foi o Hildebrando, mas não foi. A nossa mãe estava doente, precisava de sangue e o Hildebrando foi buscar. O capitão, que já havia se desentendido com ele no trânsito, disse que não dava. Levou um tapa e o Hildebrando trouxe o sangue. Precisou do anticoagulante, ele voltou lá e havia um monte de soldados que não deixaram trazer o produto. Aí a mãe morreu. Não mexemos com ninguém, mas não levamos desaforo para casa. Agência Estado - O irmão do senhor foi absolvido por unanimidade. Não houve intimidação dos jurados? Pascoal - Não houve não. Foi absolvido em legítima defesa da honra, acho. Pensamos que ele seria preso, mas aconteceu o contrário. E ficamos surpresos. Agência Estado - O senhor visitou o Hildebrando? Pascoal - Sim. Ele está magoado com tudo isso, porque trabalhou muito pelo nosso Estado. Acusaram-no de tudo, mas cadê as drogas
as carretas, a conta bancária? Não acharam nada e não vão achar
porque não existe. Agência Estado - O senhor acha que o seu irmão será considerado inocente? Pascoal -Tenho certeza de que se houver Justiça, ele será libertado. (F. M.)

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