Irmão do vereador Izar depõe e pode ser indiciado por participação em irregularidades
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 18 (AE) - O irmão do vereador José Izar (PFL)
Willians José Izar, prestou depoimento hoje ao delegado Romeu Tuma Júnior. Até às 20 horas, o depoimento ainda não havia sido encerrado, mas há possibilidade de ele ser indiciado. Junto com o irmão vereador, que controlava politicamente a Administração Regional da Lapa, Willians é acusado de participação em irregularidades administrativas no órgão.
Willians, que foi candidato a deputado estadual no ano passado, é suspeito de ter utilizado funcionários e carros da regional em sua campanha. Ele chegou à sede da Divisão de Registros Diversos (Dird), por volta das 13 horas, acompanhado pelo irmão vereador, que não pode acompanhar o depoimento.
Segundo o delegado Tuma, no inquérito que investiga eventual esquema de cobrança de propinas e irregularidades administrativas na Lapa há vários depoimentos de testemunhas que revelaram a ligação entre o candidato e a regional. Há a suspeita, por exemplo, de que frutas recolhidas de ambulantes da região teriam ido para o comitê de Izar, na Lapa.
Um dos depoimentos mais importantes foi o do empresário Rafael Barcha, dono de uma serigrafia na região. Em depoimento à polícia, Barcha revelou que foi coagido a confeccionar material de campanha para Willians, para que o alvará de seu estabelecimento fosse liberado pela regional.
Outra que teria sido coagida a fazer uma doação para a campanha de Willians foi a dona de uma escola da região. Para que o estabelecimento fosse liberado, ela teria doado camisetas para o então candidato Izar. A história foi confirmada pelo ex-assessor da regional Gilmar Almeida de Lima. Segundo ele, a licença de funcionamento só teria sido liberada após a doação feita pela proprietária da escola.
De acordo com o delegado Tuma, Willians também teria cometido crime eleitoral, cuja denúncia será encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). No caso, ele teria feito uso indevido da imagem do irmão vereador em fotos e cartazes da campanha. "Os rostos eram muito parecidos, o que poderia confundir o eleitor", justificou Tuma. O inquérito da Lapa deve estar concluído em cerca de 15 dias. Até o momento, 18 pessoas foram indiciadas por suposta participação no esquema de cobrança de propinas, incluindo o vereador Izar. Vila Mariana - A polícia começou a investigar o material apreendido ontem na Administração Regional da Vila Mariana. Em uma operação conjunta junto com o Ministério Público Estadual (MPE), foram apreendidos cerca de 4,5 mil processos administrativos. Do total, cerca de 3,9 mil referem-se à Supervisão de Uso e Ocupação do Solo (Suos). "A maior parte das denúncias na região refere-se a problemas de zoneamento", disse o promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao crime Organizado (Gaecco).
Segundo o delegado Tuma, que conduz o inquérito da Vila Mariana, um dos setores com maiores problemas é o Univias, responsável pela apreensão de ambulantes, fiscalização em bancas de jornais e propaganda nas ruas. Há informações de que o marido da chefe do departamento, Maria Cecília Pera, trabalharia no gabinete do vereador Bruno Féder (PTB), que controlava politicamente a regional até o ano passado.
O delegado disse que o esquema na regional da Vila Mariana seria semelhante ao que está sendo investigado na regional de Pinheiros. "As duas regiões são muito parecidas e as denúncias são as mesmas", disse Tuma. "O problema dos ambulantes, por exemplo, é muito esparso nos dois locais", completou. O inquérito policial foi aberto há cerca de um mês, a partir da denúncia de um empresário da região. Segundo ele, uma fiscal da regional teria cobrado R$ 3 mil de propinas para que ele pudesse continuar uma obra na região.


