São Paulo, 14 (AE) - O irmão do ex-vereador e atual deputado federal José Índio do Nascimento (PMDB), Maurício Ferreira do Nascimento, foi indiciado hoje por concussão. Ele é acusado de ter recebido propinas na época em que trabalhava na Administração Regional da Moóca. Nascimento trabalhou como assessor do administrador regional na mesma época em que seu irmão, então vereador, controlava politicamente o órgão.
Nascimento e o ex-administrador regional da Moóca, Arlindo Afonso Alves, são suspeitos de terem comandado um esquema envolvendo placas de publicidade na região. Segundo o delegado Vilson Genestretti, que conduz o inquérito policial da Moóca, empresas de publicidade seriam obrigadas a pagar R$ 500 00 mensais por cada placa instalada em áreas públicas, na região da AR-Moóca. O esquema foi revelado à polícia por empresários do setor.
De acordo com as testemunhas, oficialmente era formalizado um termo de cooperação entre as empresas e o poder público. Pelo termo, quando uma empresa se dispõe a conservar determinado local, pode instalar uma pequena placa de publicidade. "Porém, na verdade, eram instalados grandes painéis", disse o delegado Genestretti. Conforme o delegado, ainda é cedo para afirmar se o ex-vereador também participava do esquema. "As denúncias referem-se apenas ao irmão do deputado e o ex-regional", salientou. Porém, ele não descarta a hipótese de convocar o deputado para ser ouvido pela polícia.
Segundo uma das testemunhas, o dinheiro da propina era pago sempre em espécie. Um empresário apresentou à polícia cópias dos cheques descontados para pagar a suposta extorsão. Em um ano, sua empresa pagou R$ 75 mil para que as placas não fossem retiradas pelos fiscais da Prefeitura. Depoimento - Nascimento chegou ao Departamento de Investigações e Registros Diversos (Dird) por volta das 13 horas, duas horas depois do horário marcado para o depoimento. Na saída, evitou conversar com a imprensa. "É uma armação para acabar com minha imagem e de meu irmão", resumiu Nascimento, que negou qualquer tentativa de extorsão na época em que trabalhou na Penha.
Hoje, o ex-regional Alves também seria ouvido pelo delegado Genestretti. Horas antes do depoimento, porém, seu advogado ligou para os delegados e solicitou que fosse marcada nova data para o depoimento. Segundo Genestretti, o ex-regional, que atualmente trabalha na Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), também deve ser indiciado pela polícia. Sé - Hoje, o juiz Sidney Celso de Oliveira, da 4ª Vara Criminal, interrogou os últimos acusados de terem se beneficiado de um esquema de propinas na Administração Regional da Sé. Todos negaram as acusações. O ex-coordenador da equipe de apreensão da Sé, Pierre El Saloum, negou as denúncias de extorsão e afirmou que nunca teve contato com o ex-deputado estadual Hanna Garib, acusado de ser o principal beneficiário do esquema na Sé. A informação, porém, foi desmentida pelo sucessor de Saloum na Sé, Euclides de Oliveira, que afirmou ao juiz que seu antecessor foi indicado e era pessoa de confiança do ex-deputado dentro da regional.

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