Irmão de Sozza é indiciado por CPI
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terça-feira, 11 de abril de 2000
Por Daniel Gonzales 
São Paulo, 12 (AE) - Eduardo José Sozza, irmão do empresário William Sozza, foi indiciado pela CPI do Narcotráfico por formação de quadrilha, sonegação fiscal e tráfico de droga. Outra testemunha que depôs na madrugada de hoje, em São Paulo, também ligada a Sozza, é José Geraldo Bordini. Willian Sozza, procurado pela Justiça há cinco meses, está foragido e é suspeito de envolvimento num esquema de distribuição de drogas, roubo de cargas, morte de motoristas e lavagem de dinheiro, que atuaria em dez estados brasileiros e seria comandado de Campinas (SP), no interior paulista. O empresário é dono da empresa Dog Center.
"O balanço do primeiro dia de depoimentos mostra que há muitos fatos e linhas novas de investigação", disse o deputado Moroni Torgan (PSDB-CE), relator da CPI.
Os deputados levaram cópias de extratos bancários e outros documentos que provaram que Eduardo movimentou cheques de valores elevados, emitidos pela empresa Bacana Comério Atacadista, que serviria de fachada para a distribuição de cargas roubadas e de drogas, que também atuaria no esquema. Já Bordini, conforme os documentos, tem vários bens de Willian Sozza e sua empresa em seu nome, como carros, uma conta bancária e uma boate em Campinas.
A CPI decidiu pedir o indiciamento de Eduardo e o bloqueio dos bens dele, de Willian e do irmão Marco Aurélio, na tentativa de cercar o empresário, um dos principais alvos da comissão. Bordini, que gaguejou o tempo todo em seu depoimento, afirmando que foi "usado" por Willian, foi ouvido reservadamente, depois da sessão em plenário, e teve a prisão decretada. "Ficou claro que ele é um testa-de-ferro de Willian", disse Torgan.
Eduardo admitiu ter transferido para seu nome um veículo Audi, pertencente ao irmão foragido, para que o carro fosse vendido e o dinheiro fosse usado, segundo ele, no pagamento de um advogado. Para a operação é necessária a assinatura do proprietário do veículo, reconhecida em cartório, e a transferência foi feita há cerca de dois meses, apesar de o empresário estar foragido há cinco meses. A todo momento, no entanto, Eduardo negou ter encontrado o irmão. "Ele só me ligou por duas vezes e não sei de onde."
Ele também afirmou ter recebido o documento do veículo pelo correio. "Se Willian esteve em um cartório para reconhecer a assinatura, o tabelião pode estar colaborando com um criminoso"
afirmou o deputado Pompeo de Matos. Além disso, Eduardo, que afirmou ganhar R$ 1,5 mil por mês como funcionário da empresa Dog Center, tem várias contas bancárias em seu nome, com movimentações de cheques que chegam a R$ 30 mil. Mesmo diante de documentos, ele disse que não sabe de quem são as contas.
Bordini, para os deputados, seria um funcionário de confiança de Willian. "Ele não é um laranja, é um testa-de-ferro que sabe muita coisa", disse a deputada Laura Cardoso, que questionou a testemunha sobre o fato de uma van pertencente a Sozza, e registrada em seu nome, ter sido apreendida com carga roubada. Além disso, um Mercedes do empresário, também em nome de Bordini, foi apreendido com a namorada de um policial em Campinas.
Aparentando nervosismo, Bordini não respondeu claramente a nenhuma pergunta. O deputado Moroni Torgan decidiu, então, pedir que ele fosse ouvido em sessão fechada. Isso foi feito por volta de 1h, quando Bordini foi preso pela Polícia Federal.


