Curitiba, 30 (AE) - O agricultor Eduardo Anghinoni, de 31 anos, irmão de um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Paraná, Celso Anghinoni, foi morto ontem (29), por volta das 21h30, em Querência do Norte, no noroeste do Estado. Segundo o MST, a vítima, que morava em Medianeira, no oeste do Estado, visitava o irmão e foi morto dentro de casa, quando assistia televisão. Foram disparados quatro tiros através de uma janela. Três atingiram o agricultor, que morreu cerca de três horas depois.
Segundo Nildemar da Silva, outro líder do MST na região, Celso e seu irmão eram parecidos. "Foi tudo premeditado", afirmou. "O alvo era o Celso". Casado e pai de um filho de cinco anos, Eduardo será enterrado amanhã (31), em Medianeira. O MST promete uma manifestação na cidade. Ele não era integrante do movimento e trabalhava em uma propriedade do pai.
De acordo com Silva, o movimento vem denunciando constantemente ameaças às lideranças. "Vamos fazer nossa investigação paralela", afirmou. Ele não quis revelar as pistas que disse possuir. Ocupação - Ontem, ao mesmo tempo em que o MST desocupava de forma pacífica duas fazendas, uma em Ortigueira e outra em Querência do Norte, houve a ocupação de uma terceira, também em Querência. A União Democrática Ruralista (UDR) afirmou que era propriedade produtiva e acusou Celso Anghinoni, Pedro Alves Cabral e Delfino Becker de liderarem a ocupação.
O coordenador da UDR do noroeste, Tarcísio de Souza, não foi encontrado hoje. Ontem, ele disse temer mais violência na região, pois os fazendeiros sentiam-se "acuados pela ação do MST e pela omissão do governo". "Caso algo aconteça, o governador (Jaime Lerner) será responsabilizado, pois é omisso"
afirmou. A UDR acusa o governo de não cumprir ordens de reintegração de posse. Culpa - Em uma nota divulgada hoje, o MST cita a bancada ruralista da Assembléia Legislativa que, nos últimos dias, vinha exercendo pressão sobre o governo para efetivar os despejos e, "caso não o fizesse, incentivando o uso da violência por parte das milícias". Na nota, o movimento também culpa o governador Jaime Lerner "pela apatia frente a formação de milícias armadas". Segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra, de 1973 a 1999 foram mortos 64 trabalhadores rurais no Paraná.
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, que estava em Brasília, determinou que uma equipe formada por policiais especializados se deslocasse de Curitiba para Querência do Norte para investigar a morte de Eduardo Anghinoni. Segundo o assessor da secretaria, Valdir Bicudo, a intenção é evitar pressão sobre os policiais. A Polícia Militar também recebeu ordens para intensificar a fiscalização evitando confrontos.

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