Irmão de jovem assassinado é baleado por PMs
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Paulo Monteiro<br>Equipe NossoDia 
Londrina - Um adolescente de 17 anos foi baleado por policiais militares do Serviço Reservado (P2), do 5° Batalhão, no início da tarde de ontem. Segundo a Polícia Militar, ele estava armado com um revólver calibre 38 e teria tentado atirar contra a equipe policial após receber voz de abordagem. O caso aconteceu na Rua Saturno, no Jardim do Sol (zona oeste de Londrina).
O jovem levou sete tiros, foi atendido por um médico do Samu e precisou ser encaminhado pelo Siate à Santa Casa. "Ele foi ferido nas duas pernas, nádegas e tórax. Entretanto, se manteve consciente e orientado durante todo o atendimento", explicou o sargento do Corpo de Bombeiros, Paulo César. No final da tarde de ontem, a assessoria de imprensa do hospital informou que o rapaz seguia no pronto-socorro, consciente e fora de risco. Devido ao ferimento no tórax, os médicos avaliavam se o caso exigiria cirurgia.
A esposa do adolescente, Letícia Pereira, disse que ele é irmão de criação de Heliton da Silva Cassaroti, de 18 anos, que foi assassinado na noite de segunda-feira dentro de uma casa na Rua Juvenal Pioetraroia, Jardim Colúmbia (zona oeste). De acordo com a mulher, Heliton pode ter sido morto por engano, uma vez que os atiradores estariam procurando o adolescente. A esposa revelou que o marido estava andando armado porque vinha recebendo ameaças.
O porta-voz do 5° Batalhão, capitão Nelson Villa Junior, contou que os policiais que balearam o menor tinham informações de que ele estaria transitando pela zona oeste de Londrina. Segundo Villa, o objetivo da equipe era fazer a abordagem e colher informações sobre o assassinato de Heliton. Conforme o oficial, um revólver calibre 38, com seis munições intactas, foi encontrado com o adolescente. Villa declarou que o jovem teria tentado o disparo, mas a arma falhou. As pistolas dos militares foram apreendidas e serão periciadas durante o inquérito instaurado pela PM para apurar o caso. Durante a ação, o vidro traseiro da viatura utilizada pelos PMs foi atingido acidentalmente por um disparo.
José Mateus Cassaroti, pai de Heliton da Silva Cassaroti, testemunhou a morte do jovem. "Estávamos dentro de casa, aguardando a janta. De repente entraram dois caras, com dois revólveres, pedindo a chave do carro. Depois que pegaram a chave ainda atiraram no Heliton, que estava deitado e rendido no chão", detalhou. O jovem foi levado por familiares ao Hospital Universitário, mas morreu horas depois.
José Cassaroti disse desconhecer a possibilidade de Heliton ter morrido por engano, no lugar do irmão. "O meu filho menor estava morando há alguns meses com a mulher dele, lá no Jardim do Sol. Não sei se ele estava mexendo com coisa errada ou se estava sendo ameaçado."
O superintendente da Delegacia de Homicídios, Cláudio de Santana, informou que Heliton foi a 18ª pessoa assassinada em Londrina em 2014. Segundo ele, policiais civis realizaram diligências ontem, mas até a tarde nenhum suspeito pelo crime havia sido localizado.
De acordo com Instituto Médico Legal de Londrina (IML), o exame de necropsia constatou que Heliton tinha quatro perfurações no corpo: nas costas e braços. Em relação ao calibre utilizado no crime, o IML informou que o material encontrado durante o exame foi encaminhado ao Instituto de Criminalística, onde será submetido ao confronto balístico, que vai apontar o calibre.


