Irmão de Íris Rezende é preso pela PF
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sexta-feira, 05 de março de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 06 (AE) - O ex-senador Otoniel Machado (PMDB-GO) foi preso pela Polícia Federal na noite de sexta-feira
na cidade de Goiânia. Irmão do senador e ex-ministro da Justiça Íris Rezende (PMDB-GO), Otoniel teve a prisão preventiva decretada pelo juiz federal Alderico dos Santos Rocha depois de ter sido comprovada a existência de fortes indícios da sua participação no desvio de mais de R$ 6 milhões do cofre do governo estadual, às vésperas do segundo turno das eleições estaduais no ano passado.
O escândalo ficou conhecido em Goiás como o "Caso Caixego", já que o dinheiro retirado seria utilizado para o pagamento de ex-funcionários da extinta Caixa Econômica de Goiás.
A prisão de Otoniel aconteceu às 21h30, quando o ex-senador prestava depoimento na Superintendência da Polícia Federal em Goiás. Ao saber da notícia da prisão, ele passou mal e foi levado para o Hospital Neurológico, em Goiânia. Hoje pela manhã, Otoniel Machado continuava internado no hospital sob custódia da Polícia Federal.
A informação é de que o ex-senador apresentou problemas de hipertensão. Além de irmão, Otoniel também é primeiro suplente do senador Íris Rezende. Ele assumiu a vaga no Senado quando Íris foi nomeado ministro da Justiça em 1996.
Caixego - Otoniel Machado já é o quarto envolvido no escândalo da Caixego preso pela Polícia Federal. A suspeita é que o dinheiro desviado na véspera da eleição teria sido utilizado para a campanha de Íris Rezende, na reta final do segundo turno.
O senador peemedebista acabou perdendo a disputa para o tucano Marconi Perillo. Hoje, o governador de Goiás evitou comentar o caso. "Esse problema agora é da Justiça", limitou-se a dizer Marconi Perillo.
A primeira prisão do escândalo foi do ex-diretor do Banco do Estado de Goiás (BEG), Edvaldo Andrade, que também era o liquidante da antiga Caixego. Andrade é acusado de forjar um acordo entre os ex-funcionários da Caixego e a instituição, extinta em 1990.
Pelo acordo forjado, o pagamento seria de R$ 8 milhões. Mas o valor real pago aos ex-funcionários foi de R$ 2 milhões. O acordo falso foi firmado no dia 21 de outubro do ano passado. Edvaldo Andrade foi pessoalmente a uma agência do Banco do Estado de Goiás e retirou mais de R$ 5 milhões em notas de R$ 5 00 e R$ 10,00.
O nome do ex-senador Otoniel Machado apareceu no caso depois que a Polícia Federal conseguiu levantar cinco ligações telefônicas feitas para ele no mesmo dia do saque por Edvaldo Andrade. Na ocasião, o ex-senador era o coordenador geral da campanha de Íris para o governo do Estado.
Também foram presos dois advogados responsáveis pelo acordo com os ex-funcionários da Caixego. A Polícia Federal ainda não se pronunciou sobre o assunto. Procurado pela AGÒNCIA ESTADO, o senador Íris Rezende não foi encontrado.


