Goiânia, 08 (AE) - Mesmo com a pressão sob controle, Otoniel Machado, 60 anos, irmão e suplente do senador Íris Rezende (PMDB), continua internado no Instituto de Neurologia de Goiânia
apesar da insistência do Ministério Público em transferí-lo para um hospital do Estado. Coordenador da campanha política do PMDB de Goiás no ano passado, Otoniel Machado foi preso na sexta-feira por determinação do juiz Alderico Rocha dos Santos, da 5ª Vara Federal, sob a acusação de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e envolvimento no esquema que teria desviado R$ 7,45 milhões dos cofres da Caixa Econômica Estadual, a Caixego, liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em 1990
para a campanha do PMDB. Ao saber de sua prisão, Otoniel passou mal e foi internado com crise de hipertensão. Hoje, sua pressão foi controlada em 14 por 8. Mesmo assim os médicos avaliam que seu estado é grave. O suplente de senador foi submetido nesta segunda-feira a uma série de exames.
A partir da reprodução de conversas, feitas em telefones grampeados, o juiz Alderico dos Santos, em despacho de 24 laudas
acredita que tem em mãos provas substanciais contra o irmão de Íris. A prisão de Otoniel e a acusação de suposto envolvimento no esquema da Caixego também geram especulações políticas. Por trás da prisão, acreditam políticos do PMDB, estaria em ação um plano de vingança. "Há uma ênfase ao denuncismo para prejulgar e execrar as pessoas que não comungam com as idéias do PSDB", disse o deputado federal Luiz Bittencourt. "Se há conotação política nessas ações, e se há perseguição pessoal, isso não podemos aceitar e a população deve reagir imediatamente", disse o deputado federal Euler de Moraes.
O governador Marconi Perillo (PSDB) defendeu a polícia e a justiça. "O trabalho da polícia e do Ministério Público são dignos de todo elogio", disse o governador. "E se depender do meu governo, não teremos mais impunidade em Goiás." O PSDB, segundo o PMDB, seria favorecido com o desgaste porque "teria maiores chances" de se manter à frente da maior prefeitura, Goiânia, nas eleições do ano que vem e, por tabela, "eliminaria as possibilidades" de o PMDB voltar ao governo em 2002, segundo Bittencourt e Moraes.
Sigilo - O senador Maguito Vilela (PMDB-GO) se dispôs hoje a liberar o sigilo de suas contas bancárias se a justiça federal em Goiás encontrar indícios de sua participação no esquema que desviou R$ 7,5 milhões. "Não faço e nunca fiz parte de nenhum esquema", disse o senador, em Goiânia. "As minhas contas, como a minha vida, estão abertas para todo e qualquer tipo de investigação", disse ele.
Segundo os procuradores Hélio Telho, Zilmar Drummont e Luciana Martins, do Ministério Público Federal, o senador foi citado nas conversas telefônicas grampeadas, quando iniciaram as investigações sobre o suposto desvio de dinheiro da Caixego, para bancar os gastos da campanha eleitoral do PMDB. No "grampo", o irmão do senador Íris Rezende, Otoniel Machado, teria encontrado "uma solução global" para encobrir os saques fraudulentos de R$ 7,45 milhões: um dos seis advogados envolvidos, Waldemar Zaidem Sobrinho, assumiria a função de "bode expiatório" e caberia a Maguito Vilela convencê-lo dessa situação.
O esquema, segundo o Ministério Público, também envolveu, além dos seis advogados, o interventor da Caixego, Edvaldo da Silva Andrade, que está preso desde o final do mês passado, e o irmão do senador. O esquema teria movimentado R$ 10 milhões, dinheiro sacado pagar acordos trabalhistas de 124 ex-servidores do banco.
Íris - O gabinete do senador Íris Rezende (PMDB-GO) informou que amanhã (09) ele fará um pronunciamento em plenário respondendo às denúncias de que teria havido corrupção durante o tempo em que foi governador do Estado de Goiás.

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