Pouco após a morte do ator Wayne McLaren, que fazia o cowboy dos anúncios dos cigarros Marlboro, vítima de câncer no pulmão, seu irmão Charles tomou a decisão de convencer as pessoas a parar de fumar. Charles McLaren está no Rio para as manifestações do Dia Nacional Sem Cigarro, que acontecem hoje, promovidas pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). ‘‘Vi meu irmão sofrer e preciso convencer as pessoas dos males do tabaco’’, disse ele, pouco depois de chegar na cidade.
A programação contra o tabagismo começa logo pela manhã, quando ex-fumantes vão receber medalhas do Inca, na sede do órgão. Ao meio-dia, será aberta no Museu de Arte Moderna (MAM) uma exposição com cartazes publicitários e instalações contra o fumo. Também hoje, a Santa Casa de Misericórdia divulga os resultados da pesquisa Perfil do Fumante, feita pela psiquiatra Analice Gigliotti, que entrevistou 800 pessoas, entre 14 e 65 anos, do Rio, São Paulo, Porto Alegre e Recife.
Charles McLaren conta que acompanhou toda o desenvolvimento da doença do irmão e processou os médicos que cuidaram dele inicialmente, mas não a companhia Phillip Morris, dona da marca Marlboro, ou a agência que produzia os anúncios do cigarro. ‘‘Meu irmão fumou dos 12 anos até pouco antes de morrer, aos 51 anos, mas quando ele adoeceu pela primeira vez, os médicos não diagnosticaram câncer de pulmão’’, disse. McLaren acrescentou que depois disso, o irmão viveu mais dois anos. ‘‘Se a doença tivesse sido tratada na época, ele teria sobrevivido’’.
McLaren, que é dono de uma empresa que fabrica equipamentos para petróleo, decidiu conjugar a vida profissional com a militância. Ele visitou 17 estados americanos, mas esta é a primeira vez que vem ao Brasil, a convite do Ministério da Saúde e do Inca. Ao saber que os jovens brasileiros e americanos voltaram a fumar depois de um período em que hábito havia sido abandonado pela juventude, ele assume que errou. ‘‘Nossas palavras não foram suficientes para convencê-los’’, lamentou.
A pesquisa feita pela Santa Casa de Misericórdia revela incoerências entre os fumantes. Dos 800 entrevistados, 83% querem abandonar o cigarro, mas só 18,4% acreditam ser capazes de fazê-lo no prazo de um mês. Os fumantes sabem que seu hábito incomoda outras pessoas, 80% apagam o cigarro nas refeições coletivas e 73% não fumam perto de crianças.

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