Irmão de dupla é libertado em rodovia em Guapó
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sábado, 20 de março de 1999
Por Edson Luiz 
Guapó, GO, 21 (AE) - O compositor Wellington José Camargo, irmão da dupla Zezé di Camargo e Luciano, sequestrado há 95 dias, em Goiânia, foi libertado na manhã de hoje, nas proximidades de Guapó, a 30 quilômetros da capital. Wellington foi deixado dentro de uma vala a 100 metros de uma estrada, onde foi encontrado pelo motoqueiro Donizete Macário Vieira.
Ele foi levado para uma clínica, onde foi medicado. O compositor estava muito magro, tinha fortes dores no corpo e estava com infecção na orelha, cortada pelos sequestradores.
Wellington ficou durante todo o tempo num buraco, nos 95 dias de cativeiro, segundo o médico Francisco Ildefonso Lobo, a primeira pessoa que conversou com o compositor depois do motoqueiro. O médico contou ainda que Wellingotn ficou sob mira de armas pesadas e comia mal. "Ele recebeu um tratamento desumano, não teve ajuda higiênica e era constantemente ameaçado de morte", afirmou Lobo. O médico contou que os sequestradores perguntavam frequentemente sobre o patrimônio da família.
No período em que ficou no cativeiro, Wellington, que é paraplégico, estava sem o colete costal, o que provocou fortes dores lombares. O médico avaliou que ele deve ter ficado três meses num buraco, sem qualquer cuidado. "Ele sentia dores terríveis no local onde cortaram sua orelha", observou Lobo.
Para os médicos que o atenderam no Hospital Amparo, próximo da residência do irmão Emanuel Camargo, Wellligton disse ainda que parte da orelha foi cortada com uma faca. Os sequestradores apenas passaram alcoól no local, mas, para evitar qualquer reação, mesmo sabendo da fragilidade do compositor, eles amarraram os braços dele. Para evitar que o corte infeccionasse, colocaram borra de café e açucar no ferimento. Depois de ser pago o resgate, na noite de sexta-feira (19), os sequestradores deixaram Wellington numa área da Fazenda Roda D´ água, nas de Guapó, na Rodovia BR-060, que liga Goiás a Mato Grosso. O compositor foi dopado 24 horas antes, colocado numa vala com apenas um lençol, uma colchonete e um travesseiro. Os sequestradores ainda avisaram a TV Serra Dourada (afiliada do Sistema Brasileiro de Televisão) sobre o local do cativeiro.
Por ser deficiente, Wellington teve rastejar-se por mais de 100 metros num matagal para localizar uma pequena estrada que dá acesso à rodovia, onde foi encontrado, por volta 8 horas de hoje por Vieira, que estava numa moto com o irmão Aparecido. O motoqueiro contou que vinha acompanhando o caso e viu que se tratava de Wellington. O compositor estava no meio do mato e acenava para quem passasse pela estrada. Dois carros não quiseram o socorrer. "Ele foi entregue à própria sorte", disse o médico. Segundo Donizete, Wellington pediu a ele que tentasse encontrar um telefone, mas preferiu o deixar no destacamento da Polícia Militar em Guapó, onde os policiais chamaram os agentes do Grupo Anti-Sequestro (GAS), que o trouxeraqm pela manhã a Goiânia, onde chegou por volta das 9h40. Bastante abatido, com a calça e camisa sujas de barro, barba crescida, arranhado e pálido, o compositor foi carregado por PMs até dentro do hospital.
A primeira pergunta que fez foi sobre a mulher Angela e o filho, mas, quando falava sobre o cativeiro, começava a chorar. Angela chegou pouco depois ao local, para onde também foram o governador Marconi Perillo (PSDB) e vários deputados.


