O empresário gaúcho Lindomar Rigotto foi indiciado ontem pela morte da dançarina Andréa Viviane Catarina, de 24 anos. Responsável pelas investigações, o delegado Cláudio Barbedo, da 1ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, indiciou Rigotto, de 47 anos, por homicídio qualificado e omissão de socorro. Andréa estava nua quando caiu - ou foi atirada - do apartamento de Rigotto, localizado no 14º andar de um edifício no centro da capital. ‘‘Sem dúvida ela foi jogada por alguém’’, afirmou o delegado.
Dono de casas noturnas, o empresário é irmão do deputado Germano Rigotto (PMDB), ex-líder do governo Fernando Henrique Cardoso no Congresso. Barbedo detectou várias contradições entre o depoimento de Rigotto e o que foi apurado pela perícia.
Segundo o testemunho do empresário e de uma amiga - a ex-dançarina Marilda Zeferino, que também estava no apartamento e igualmente indiciada - Andréa teria bebido champanhe e várias doses de uísque no dia de sua morte, 24 de setembro de 1998. Teria ainda usado cocaína. Perturbada, teria passado a manhã e a tarde dizendo coisas desconexas, falando ‘‘em Adão e Eva e Jesus’’. Depois, segundo ainda o relato dos dois, subiu no parapeito de uma das janelas e deixou-se cair.
O laudo do DMC não constatou a existência de álcool, cocaína, anfetaminas ou antidepressivos no material coletado do cadáver, divergindo das afirmações de Rigotto e Marilda. Outra contradição reside nas declarações da dupla de que Andréa caiu depois de segurar-se no parapeito da janela. Mas os peritos sustentam que o corpo de Andréa estava ‘‘animado por um impulso no início da queda’’.
Ontem, o delegado lembrou que o cadáver foi encontrado a quase 6 metros da parede do edifício. Também foram descobertas três equimoses no corpo da morta produzidas, provavelmente, antes que despencasse do 14º andar. Duas das lesões estavam nas costas e, como Andréa caiu de bruços, não aconteceram na queda. A outra situava-se abaixo do olho esquerdo. O delegado ainda mencionou indícios de ‘‘sinais de luta’’ no apartamento.

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