Brasília, 20 (AE) - O irmão do deputado Augusto Farias (PPB-AL) José Rogério Cavalcante Farias presta amanhã (21) depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara para falar sobre a suposta ligação da família com um grupo de roubo de carga e tráfico de drogas.
Rogério Cavalcante Farias é dono de uma fazenda no Maranhão, que seria um dos pontos usados pela quadrilha integrada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), cassado e expulso do PFL por quebra de decoro parlamentar.
Alvo principal da CPI nesse momento, o caso envolvendo os Farias apresenta pelo menos duas "coincidências" consideradas "estranhas" pelo relator da comissão, Moroni Torgan (PFL-CE). A fazenda, localizada em Nova Olinda, município que fica às margens da Rodovia BR-316, rota do roubo de caminhões e cargas, é situada na mesma região da propriedade do deputado estadual José Gerardo, uma das autoridades maranhenses ligadas ao grupo. Na próxima semana, 11 parlamentares estarão em São Luís para ouvir testemunhas do caso. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), também irá falar à CPI para dar informações sobre a criminalidade no Estado.
"Queremos saber qual o interesse da família Farias em comprar uma propriedade naquela região, justamente no local da rota usada pelo grupo do narcotráfico", disse Torgan. Segundo ele, as terras foram compradas em partes e somam, atualmente, quase 2 mil hectares. Na certidão de registro de imóveis, a propriedade, que teria uma pista para pouso de aviões, segundo informações da Polícia Federal (PF), está no nome da mulher de Rogério Cavalcante Farias, que assina o documento como procurador. A PF tem informações de que a fazenda sempre foi usada por Augusto Farias, visto diversas vezes na região cuidando dos negócios.
"Lá, todo mundo sabe que as terras são efetivamente do deputado Augusto Farias", disse o relator. Segundo o presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), a fazenda de Rogério Cavalcante Farias está localizada no reduto eleitoral de Gerardo, dono da Viação Juli, uma das empresas usadas pelo grupo.
Augusto Farias, que hoje administra as empresas deixadas pelo irmão Paulo César Farias, o PC Farias, assassinado em junho de 1996, prestou depoimento à CPI e negou envolvimento com o narcotráfico. Segundo ele, as informações sobre a ligação com as atividades ilegais dadas à comissão por uma das testemunhas do caso, o caminhoneiro e traficante Jorge Meres, são infundadas e podem estar sendo divulgadas para o prejudicar em razão de interesses de terceiros.
Hoje, os integrantes da comissão iam tentar nova ofensiva para adiar os trabalhos da CPI para março. Eles iam entregar no início da noite uma carta, assinada pelos líderes dos partidos na Câmara, ao presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), pedindo a prorrogação da comissão, marcada para terminar no dia 10.

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