Irmão da vereadora Maria Helena é indiciado
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 02 (AE) - O irmão da vereadora Maria Helena (PL) Odair Pacheco Pereira foi indiciado hoje por usurpação de função pública. Ele é acusado de ter exercido influência na Administração Regional da Freguesia do à no período em que sua irmã controlava politicamente o órgão. Apesar de ser contratado pelo gabinete de Maria Helena na Câmara Municipal, Pereira tinha uma sala na regional e exercia informalmente as funções do administrador regional, segundo apurou a polícia.
O indiciamento teve como base o depoimento do ex-administrador regional Milton de Jesus, que no ano passado foi indicado para o cargo por Maria Helena. Em depoimento prestado à polícia, Jesus afirmou que tinha sido nomeado, mas quem exercia poder de fato no órgão era Pereira. Segundo o delegado Renato Ferreira, que conduz o inquérito policial que investiga irregularidades administrativas na regional da Freguesia do à, Pereira ia diariamente à regional, onde tinha uma sala e usava veículos do órgão.
"Ele não tinha nenhum cargo formal, mas todos os chefes de departamentos importantes prestavam contas apenas para ele", disse o delegado Ferreira. O irmão da vereadora cuidava, por exemplo, do setor de fiscalização da regional. A Jesus cabia apenas trabalhos burocráticos, como poda de árvores e limpeza de ruas. O esquema foi revelado por Jesus em abril.
Em uma apreensão realizada na casa da vereadora, no mês passado, o delegado Romeu Tuma Júnior encontrou uma carta escrita por Jesus inocentando a vereadora de qualquer irregularidade na regional. A polícia apura se ele foi forçado a escrever a carta pela própria parlamentar. Há três semanas, o delegado Ferreira ouviu novamente o ex-regional, que confirmou as acusações. Ele foi indiciado por prevaricação (deixar de cumprir função pública). "Como ele era o titular da regional, tinha a obrigação de ter tomado alguma providência em relação a Pereira", justificou. Na saída do Departamento de Investigações e Registros Diversos (Dird), Pereira, que se identificou como agente policial, evitou conversar com a imprensa. "Se ele declarou alguma coisa vai ter de provar na Justiça", disse, referindo-se a Jesus. Caso seja condenado na Justiça, Pereira pode pegar de dois a cinco anos de prisão.


