Irmã registra sumiço de militante do MST
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quinta-feira, 04 de maio de 2000
Dimitri do Valle e Luciana Pombo De Curitiba 
O militante do MST João Eureste Fernandez de Lima, 40 anos, está desaparecido desde o conflito entre os sem-terra e a Polícia Militar. O comunicado do sumiço de Santos foi feito ontem na Delegacia de Homicídios, em Curitiba, pela irmã do agricultor, Neli Lima dos Santos, 44 anos. Ela relatou que soube do desaparecimento do irmão quando sua cunhada telefonou do assentamento, em Reserva, para pedir informações sobre o paradeiro do marido.
Neli disse ter ficado surpresa com a notícia pois não via o irmão há cerca de três anos. Ela confessou que não sabia que o agricultor viria a Curitiba. Já faz 48 horas e não temos nenhum informação sobre ele. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o MST já denunciaram que uma pessoa desapareceu após o confronto. O advogado da CPT, Darcy Frigo, disse que as características fornecidas por uma testemunha são semelhantes com as de Lima.
Em Campo Largo, a Polícia Civil começou a investigar o suposto desaparecimento de um sem-terra. Um homem, que teve o pé mordido por um cão policial e que não quis ser identificado, contou à polícia que, quando terminou o primeiro tiroteio, por volta das 8h30 da manhã, viu um sem-terra com um ferimento na nuca. A vítima teria recusado ajuda, alegando que estava bem. Mas por volta das 10h45, após o segundo tiroteio, ele teria encontrado um outro sem-terra, quase sem vida. A testemunha, que a reportagem passará a chamar de Jair Fonseca, disse que chamou um amigo e arrastou o ferido até uma árvore. De acordo com o depoimento de Fonseca, o sem-terra estava com ferimento na cabeça e sangrava muito.
O delegado responsável pelas investigações, Osmar Antonio Dechiche, disse que oficialmente não tem qualquer denúncia de desaparecimento. No entanto, ele contou que tentará localizar o sem-terra ferido. Dechiche avaliou que a testemunha negou que qualquer dos dois sem-terra feridos seja o líder do MST Antonio Tavares Pereira, que morreu no Hospital do Trabalhador, vítima de hemorragia aguda provocada ferimento por arma de fogo. A testemunha é uma pessoa muito sensata, detalhista. Forneceu todos os dados necessários com riqueza de detalhes. Duas camisas que podem ser dos sem-terra supostamente desaparecidos foram enviadas para perícia para o exame de tipagem sanguínea. O resultado fica pronto em 10 dias.
A advogada de Jair Fonseca, Teresa Cofré, disse que teme pela integridade física de seu cliente. Quando ele estava no hospital, quatro homens procuraram por ele. Não sabemos quem são estas pessoas. Estamos com medo, disse.


