Apucarana - A irmã mais velha da menina de 8 anos que teve de ser submetida a uma cirurgia para remover cabelos do intestino, no dia 25 do mês passado, em Apucarana, foi encaminhada ao Instituto de Radiologia Manoel de Abreu, na manhã de ontem, para realizar exames de ultrassonografia e radiografia. O encaminhamento foi solicitado pela juíza da Vara de Família e Sucessões, Infância e Juventude de Apucarana, Ornela Castanho, depois que uma investigação social realizada por psicólogos designados pela Justiça local constatou que a menina também havia relatado fortes dores na região abdominal.
A jovem é um ano mais velha que a irmã, que foi encaminhada para o Lar Sagrada Família após ordem protetiva expedida pela juíza Carolina Carrijo, a qual impede o contato da garota com os pais. Caso o exame confirme que criança de 9 anos também possui material semelhante no abdome, há a possibilidade de expedição de uma nova ordem protetiva.
A menina foi à clínica acompanhada por um conselheiro tutelar e também por uma de suas professoras. Os pais foram impedidos de acompanhar a filha enquanto ela realizava os exames. O resultado da avaliação será encaminhado à Vara de Família e Sucessões, Infância e Juventude de Apucarana na próxima terça-feira. De acordo com informações do Conselho Tutelar de Apucarana, a garota teria se mostrado tranquila durante a realização dos exames.
Anteontem, a Polícia Civil de Apucarana realizou novas oitivas com os pais das duas garotas e com seus vizinhos, no entanto, o delegado chefe da 17ª Subdivisão de Apucarana, José Aparecido Jacovós, afirmou que não poderia dar mais nenhuma informação sobre o caso, que corre em segredo de Justiça.
Segundo o pai das duas garotas, este teria sido o quinto depoimento concedido pela esposa. "Estão achando que foi minha esposa que colocou o cabelo no meio da comida. Não tem cabimento pensar uma coisa dessas. Quero o melhor para a minha esposa e espero que a Justiça resolva e conclua tudo isso logo para ver se acaba com essa novela", declarou.
Ele admitiu que a esposa teria sofrido problemas de depressão e ansiedade anteriormente e que, a pedido dele, teria interrompido o tratamento. "Quando o médico psiquiatra receitou remédios para passar a ansiedade eu falei para ela parar de tomar, porque eu falava que não havia casado com uma louca. Hoje vejo que fiz a coisa errada de não comprar os remédios que o médico pediu", admitiu.
Segundo ele, no ano passado, a esposa foi responsável por acompanhar a cunhada em um tratamento contra álcool e drogas. "Minha esposa era a tutora responsável para levar ela ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) porque minha cunhada não conhecia muito bem a cidade. Essa situação mexeu muito com o estado emocional dela e agora, com esse caso de nossas filhas, a situação pode ter piorado", contou o pai, revelando ainda que pediu ajuda ao advogado da família para procurar uma clínica psiquiátrica para que a esposa retome o tratamento. "Vou fazer tudo certinho desta vez", prometeu. O advogado da família foi procurado pela reportagem, mas não retornou as ligações.
A jovem de 8 anos foi internada no dia 14 do mês passado com fortes dores estomacais e foi submetida a uma bateria de exames que incluiu ultrassom e radiografias. Na época, foi constatado que havia um corpo estranho no intestino. Ela foi submetida a uma cirurgia e foram encontrados tufos de cabelo e barbantes. A mãe da menina teria afirmado que a filha possivelmente foi vítima de um ato de magia negra, mas a história despertou a desconfiança da polícia, que passou a investigar a família da garota.

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