Maceió, 13 (AE) - A irmã adotiva da deputada federal Ceci Cunha (PSDB-AL), Claudinete Santos Maranhão, reconheceu o assessor do ex-deputado federal Talvane Albuquerque (PTN-AL) Jadielson Barbosa como um dos homens que assassinaram a parlamentar e mais três parentes dela, em 16 de dezembro. O reconhecimento foi feito ontem (12) à noite, no Fórum de Maceió, onde a testemunha da chacina ficou frente à frente com Barbosa.
Claudinete disse ao juiz da 1ª Vara Criminal, Daniel Accioly, que presenciou a entrada dos assassinos na varanda da casa, onde aconteceu a chacina, e o primeiro deles era Barbosa. "Eu olhei no solhos deles", afirmou, emocionando-se. Segundo Claudinete, o primeiro tiro foi dado na sogra dela, Ítala Maranhão, mãe do marido dela, Iran Carlos Maranhão, que também foi assassinado junto com o marido da deputada, Juvenal Cunha.
A testemunha disse que só deu para reconhecer Barbosa, mas o cunhado, Ironaldo Maranhão - que perdeu a mãe e o irmão na chacina - reconheceu mais dois assessores de Albuquerque, Alécio Alves e Mendonça Medeiros, quando eles apareceram na televisão, numa reportagem sobre o caso. Segundo Claudinete, quando Ironaldo viu esses dois assessores do ex-deputado na TV, disse: "Foram eles mesmo."
Ironaldo deveria ter prestado depoimento ontem, mas não compareceu. Desde o dia da chacina, ele vem sendo protegido pela polícia, sob sigilo, para não sofrer atentado. Segundo outra irmã de Ceci, Clélia Santos, ele iria apresentar-se para depor, mas, ao fim da audiência, o promotor Mário Roberto Tenório pediu a desistência do depoimento, satisfeito com as declarações de Claudinete.
No dia da chacina, Ironaldo estava no jardim, regando as plantas, e tinha entrado na casa para pegar uma fita de vídeo com o objetivo de entregar a Ceci. "Quando voltava com a fita, ouviu os tiros, mas, como a porta que dá acesso da varanda para a sala principal da casa é de vidro, deu muito bem para ele ver os assassinos e correr", comentou um dos irmãos de Ironaldo, Isnaldo Maranhão Pureza.
Claudinete conta que escapou por "milagre". Ela disse que estava sentada na varanda, junto com a sogra, a irmã e o cunhado. O marido dela estava numa rede, na mesma varanda, mas um pouco mais afastado. A testemunha disse que estava na cadeira que aparece vazia na foto da cena do crime e que pode ver os assassinos entrando na casa, preparando-se para atirar. Ela só presenciou o primeiro tiro, dado na sogra, fugindo, em seguida, para dentro da casa.
Claudinete disse ter visto quando os pistoleiros chegaram à casa correndo e quando o primeiro deles - segundo ela
Barbosa - abriu o portão, sendo seguido pelos outros. Logo depois, a testemunha teria ouvido o barulho de armas sendo engatilhadas para atirar. Ela disse ainda que fixou o olhar no primeiro dos homens - Barbosa, segundo afirmou -, que portava uma espingarda, mas não lembra sequer quantos eram os outros.
"No início, pensei que fosse uma brincadeira; depois, achei que era um assalto; fiquei paralisada, olhando só para aquela criatura." "Minha sogra (Ítala Maranhão) disse Pelo amor de Deus, não façam isso!, e eles já começaram a atirar: quando virei e vi que ela tinha sido atingida, corri e escondi-me no primeiro quarto, embaixo da cama", contou Claudinete ao juiz e ao promotor.
Durante o depoimento de Claudinete, os réus Barbosa, Alves, Medeiros, José Alexandre dos Santos,Winer Lopes e Maurício Guedes, o "Chapéu de Couro" foram retirados do auditório para evitar constrangimento. Mas, a pedido de Claudinete, Barbosa voltou à sala de audiência e foi coloacdo à frente dela. Nervosa, reafirmou o reconhecimento do suspeito.
Antes de ficar frente a frente com o assessor de Albuquerque, Claudinete descreveu Barbosa, dizendo que ele estava usando "barba escura" no momento do crime, que estava mais forte e que ele tinha olhos claros.
Os olhos, segundo ela, foram o que mais chamou a atenção no momento do crime. "Jadielson, eu olhei nos seus olhos", disse Claudinete, emocionada.
O depoimento de Claudinete foi seguido pelo novo interrogatório do jardineiro Walmir Pereira Campos e do genro de Ítala, Luciano Gomes. Os dois reafirmaram o conteúdo do depoimento prestado no dia 26 ao juiz. Campos confirmou ter visto "Chapéu de Couro" entre os passageiros do Fiat Uno usado na fuga dos assassinos de Ceci.
O deputado federal Augusto Farias (PPB), que também deveria ter sido interrogado de novo como testemunha de acusação
pediu que fosse marcada uma outra data, alegando ter viajado para visitar um parente. O juiz marcou para sexta-feira (16) o novo depoimento. Além do deputado, serão interrogadas as testemunhas referidas - Eraldo Bulhões (patrão do jardineiro), Diamantino da Silva (agente da Polícia Federal) e o vereador de Batalha (AL), Wilson Silva, pai de Medeiros.
No fim da audiência, o juiz determinou que os cinco réus - assessores de Albuquerque - sejam transferidos para o Presídio de Segurança Máxima Baldomero Cavalcanti. "Chapéu de Couro" deverá retornar amanhã (14) a Aracaju, onde aguarda julgamento, acusado da morte de um comerciante.
Mas, em maio, ele será transferido em definitivo para o Baldomero Cavalcanti, por onde passou Albuquerque, que, agora, se encontra em cela especial no Quartel do Corpo de Bombeiros.

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