Rio, 03 (AE) - A irmã do traficante Luiz Fernando da Costa, o "Fernandinho Beira-Mar", Alessandra da Costa, de 25 anos, admitiu hoje, em depoimento na sede da Polícia Federal (PF) no Rio, que recebeu orientação do irmão para deixar a capital fluminense em 1998, quando se mudou para a Paraíba, mas afirmou desconhecer a ligação dele com o narcotráfico.
"Sou inocente, ser irmã não é crime", declarou Alessandra. Ela é sócia do irmão na fábrica de gelo Bipolar, em Duque de Caxias (RJ), e foi denunciada em outubro pelo Ministério Público do Estado (MPE) como testa-de-ferro do traficante. Depois, teve a prisão preventiva decretada pela juíza Terezinha Avelar, da 1.ª Vara Criminal de Duque de Caxias. A pena prevista para o crime de associação ao tráfico é de três a 15 anos de prisão.
No depoimento, Alessandra disse que "apenas emprestou o nome para o irmão". Segundo o advogado Wanderley Rebello Filho, que vai pedir o relaxamento da prisão de Alessandra, ela não frequentava a fábrica e se tornou sócia de "Fernandinho Beira-Mar" por orientação dele. "Ela é gente simples que cumpre ordens", declarou. Para ele, a prisão é "ilegal e injusta".
O advogado afirmou que Alessandra "recebia dinheiro de Beira-Mar todo mês". Ela negou no depoimento ter imóveis no próprio nome, como denunciou o Ministério Público, e também disse desconhecer o nome de quem gerenciaria o negócio do irmão.
Ela está presa na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). A juíza e a promotora Márcia Velasco não quiseram dar declarações após o depoimento. De acordo com o advogado, a sessão ocorreu na sede da PF por "motivo de segurança". Segundo ele, Alessandra estava morando na Paraíba havia dois anos, com um policial civil. Para o advogado, a cliente "foi ingênua" ao aceitar cumprir ordens do irmão.