Íris usa tribuna para se defender
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segunda-feira, 15 de março de 1999
Por João Unes 
Goiânia, 16 (AE) - O senador Íris Rezende (PMDB-GO) ocupa amanhã (17) a tribuna do Senado para denunciar o que chama de "campanha contra o PMDB" nas investigações sobre o escândalo Caixego. Íris vai dizer que o caso conduzido pela Justiça Federal visa a enfraquecer o PMDB goiano por meio de ataques contra sua pessoa. Na opinião de Íris, esse ataques são orquestrados pelo governador Marconi Perillo (PSDB) e pelo procurador da República Hélio Telho Corrêa Filho - um dos três integrantes do Grupo Criminal da Procuradoria da República responsável pelo inquérito que apura o desvio de R$ 5 milhões de um total de R$ 7,45 milhões da extinta Caixego.
Será o primeiro pronunciamento em público do senador depois que a Justiça Federal decretou a prisão preventiva de seu irmão e suplente de senador Otoniel Machado. Até agora, Iris tem preferido ficar em silêncio para não atrapalhar o julgamento do habeas-corpus concedido há uma semana pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª região. O mérito está sob apreciação do juiz Jamil Rosa de Jesus, que deve manter a medida liminar que revogou a prisão.
Na semana passada, foi o senador Maguito Vilela (PMDB-GO) quem ocupou a tribuna para fazer um discurso inflamado contra o governo Marconi Perillo, o prefeito de Goiânia, Nion Albernaz (PSDB), e o procurador da República Hélio Telho.
Em Goiânia, sete dos oito envolvidos no esquema entregaram na segunda-feira à Justiça Federal suas defesas prévias. A estratégia de defesa de cada um revela graves conflitos entre os beneficiários do dinheiro. Os advogados de Edivaldo Silva Andrade, ex-liquidante da Caixego e ex-diretor do BEG responsável pelo saque em dinheiro dos R$ 5 milhões, garantem que seu cliente entregou tudo para o advogado Valdemar Zaidem. A história é endossada por Otoniel Machado.
Zaidem rebate as acusações denunciando o PMDB como principal beneficiário do dinheiro desviado, utilizando a verba na campanha de Iris. "O senador está querendo deslocar o eixo da discussão, com base em história inventada por Edivaldo", defende-se Zaidem. "Na Justiça, o Edivaldo tentou até negar o saque de R$ 5 milhões na boca-do-caixa, mas desistiu porque, ao entrar na tesouraria, foi filmado e teve de assinar o livro." O advogado garante ter ouvido do próprio Edivaldo que o dinheiro que deveria ser destinado ao pagamento de direitos trabalhistas de 124 ex-funcionários da Caixego foi parar nas mãos do tesoureiro da campanha de Iris, Otoniel Machado.


