Iris Rezende pede licença para defender-se
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Eliane Azevedo, enviada especial 
Goiânia, 10 (AE) - O ex-ministro e senador Iris Rezende (PMDB-GO) pediu hoje (10) uma licença de oito dias da Casa para preparar o discurso no plenário com o qual pretende contra-atacar as acusações de desvio de dinheiro público para a sua campanha ao governo do Estado, marcado para a próxima quarta-feira.
A informação foi dada no início da noite por seus assessores, depois de um dia de boatos de que Rezende renunciaria. O senador não quis falar com a imprensa.
Em seu requerimento à Presidência do Senado, Rezende alegou motivos pessoais para se ausentar das sessões. O pedido de licença aponta que o senador acusou o golpe sentido com as denúncias de que seu irmão, o suplente de senador Otoniel Machado, teria recebido R$ 5 milhões, em espécie, desviados de uma acordo de pagamento de indenizações trabalhistas a ex-funcionários da Caixa Econômica de Goiás (Caixego).
O dinheiro, segundo o Ministério público Federal, foi utilizado na campanha do PMDB, da qual Machado era coordenador. Ele chegou a ter prisão preventiva decretada na sexta-feira, revogada ontem pelo Tribunal Federal de Recursos (TFR).
Desde que a prisão foi pedida, Machado está internado no Instituto de neurologia de Goiânia. Hoje, seu estado de saúde piorou. "Ele realmente não está bem e o Iris é muito ligado ao irmão, está abalado com o estado dele de confusão mental", disse o ex-governador e senador Maguito Vilela (PMDB-GO). Machado apresenta problemas neurológicos e cardíacos.
O processo que apura a fraude na Caixego está na 5ª Vara de justiça Federal de Goiás. O juíz Alderico Rocha Santos deferiu o pedido do Ministério Púbklico para solicitar ao Senado e ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para aprofundar as investigações sobre Iris Rezende e Maguito Vilela e seu possível envolvimento no escândalo.
A Justiça Federal, no entanto, ainda não enviou o pedido e a cópia dos autos ao STF: Como o processo tem três volumes com mil páginas cada um e mais um adendo de 1.200 páginas, a Secretaria não conseguiu preparar a documentação. A previsão é a de que só chega a Brasília no início da próxima semana.


