Goiânia, 10 (AE) - O senador Iris Rezende (PMDB-GO) disse hoje que a devolução dos R$ 5 milhões desviados da Caixego mostra que o dinheiro não foi usado em sua campanha para o governo de Goiás, em 1998. Segundo Iris, o caso Caixego não tem ramificações políticas, e é uma briga entre advogados e ex-funcionários da extinta Caixa Econômica do Estado de Goiás (Caixego). "O PMDB nunca teve nada a ver com isso", declarou Iris.
Com a devolução do dinheiro - anunciada ontem (09) pelo advogado Isaías Carlos da Silva - Iris acredita que agora ficará mais fácil a elucidação do desvio do dinheiro, que deveria ser usado no pagamento de acordos trabalhistas de 124 ex-funcionários da Caixego. "A palavra final agora é da Justiça", afirmou.
A interpretação de Iris é compartilhada pelo presidente regional do PMDB, senador Mauro Miranda (GO). "Estou confiante de que o fato novo que configura o aparecimento do dinheiro vai ajudar a justiça a solucionar o caso", disse Miranda. Segundo ele, as denúncias de que o dinheiro teria ajudado o comitê eleitoral de Iris são infundadas. "A devolução dos R$ 5 milhões melhora nossa situação, porque prova que o PMDB não participou de nada", afirmou. "Nossas contas no TRE foram aprovadas e o partido sai limpo dessa história."
Os R$ 5 milhões foram desviados há 15 meses e reapareceram na quinta-feira, quando o ex-subprocurador-geral do Estado de Goiás Isaías Carlos da Silva anunciou, por meio de uma nota à imprensa, o depósito no valor de R$ 5 milhões em uma agência do Bradesco em Brasília, destinada à agência central de Goiânia, em nome da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual. Segundo testemunhas ouvidas pela Justiça, o dinheiro que deveria ser usado no pagamento de acertos trabalhistas de 124 ex-funcionários da Caixego teria sido desviado para financiar a campanha eleitoral do PMDB para o governo do Estado, em 1998.
O procurador-geral do Estado, Diógenes Mortoza, anunciou hoje que o governo vai lutar na Justiça para que os R$ 5 milhões sejam transferidos para o Tesouro do Estado. Na opinião do procurador-geral, a dívida reclamada pelos ex-funcionários da Caixego não foi reconhecida nem homologada na instância apropriada. Do acordo, feito em 1998, os ex-servidores saíram com R$ 2,55 milhões. Já a defesa dos ex-funcionários vai tentar na Justiça transferir os R$ 5 milhões para o grupo que trabalhava na Caixego até a sua liquidação.

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