Curitiba - Duas crianças iraquianas portadoras de câncer serão tratadas no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba. Não há ainda uma data definida para a vinda dos pacientes. O Ministério da Saúde iraquiano arcará com os custos de transporte destas e de outras 18 crianças que serão recebidas por hospitais do Rio Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Piauí e Goiás, também considerados centros de referência no tratamento do câncer em crianças.
A vinda das crianças iraquianas foi intermediada pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Iraque, que tem sede em São Paulo. Segundo o presidente da Câmara, Jalal Chaya, a data em que as crianças iraquianas chegarão ao Brasil deve se confirmar por volta da segunda semana de julho, logo depois da posse do novo governo do Iraque, que acontece no dia 30 de junho.
A Câmara de Comércio Brasil-Iraque foi criada este ano com o propósito de incrementar os negócios entre os dois países. Mas, de acordo com Chaya, a entidade decidiu atuar também nas áreas social e cultural, buscando contribuir com o país que foi massacrado pela guerra. Chaya informou que há possibilidade de se ampliar o número de leitos nos hospitais brasileiros, pois a Câmara continua buscando parcerias com instituições de outros estados.
Para o superintendente da Liga Paranaense de Combate ao Câncer (mantenedora do Hospital Erasto Gaertner), Luiz Antonio Negrão Dias, a saúde pública no Iraque enfrenta sérias dificuldades com a falta de hospitais, destruídos durante a guerra e, por isso, o apoio de outros países é fundamental. ''As chances de cura do câncer na pediatria são de 70%. Não podemos deixar essas crianças sem tratamento'', afirmou.
O hospital, segundo Dias, já disponibilizou dois dos 26 leitos da ala pediátrica para receber as crianças. Todas as despesas de internação e do tratamento possivelmente à base de quimioterapia ficarão por conta do hospital. Como as crianças ainda serão selecionadas pelo Ministério da Saúde do Iraque, o hospital ainda não tem informações sobre o estado clínico delas.
Por ser um centro de excelência no tratamento do câncer, o Hospital Erasto Gaertner tem recebido crianças de outros países, como é o caso do vizinho Paraguai, que, de acordo com o superintendente, envia pacientes para Curitiba. O hospital também recebe crianças de comunidades indígenas encaminhadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai).
Segundo informações da Câmara, já disponibilizaram leitos às crianças iraquianas a Sociedade Piauiense de Combate ao Câncer (PI); Associação Feminina de Prevenção e Combate ao Câncer, de Juiz de Fora (MG); Fundação Hospital Amaral Carvalho, de Jaú (interior de SP); Hospital Araújo Jorge (GO); e Hospital Mário Kröef (RJ).

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