Iraque nega notícias de distúrbios xiitas
Bagdá, 22 (AE-REUTERS) - O Iraque negou hoje (22) notícias divulgadas por grupos exilados de oposição dando conta que centenas de pessoas teriam sido mortas em Bagdá em protestos contra o assassinato de um destacado clérigo muçulmano xiita na semana passada.
"Enfatizamos uma vez mais que o que a mídia e grupos antiiraquianos chamam de distúrbios em várias províncias iraquianas são frutos da imaginação", afirmou o diretor-geral da Agência de Notícias Iraquiana, Uday al-Taie, numa entrevista coletiva.
"Esses rumores não têm base e são falsos".
Grupos de oposição no exílio têm noticiado que os distúrbios explodiram em Bagdá e no sul do Iraque, na maior parte habitado pela maioria xiita, depois do assassinato do Grande Aiatolá Mohammad Mohammad Sadeq al-Sadr e seus dois filhos na noite de sexta-feira.
Em Teerã, o xiita Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (sigla em inglês, SCIRI) anunciou que centenas de pessoas foram mortas apenas na capital.
"No maior distrito de Bagdá, que é majoritariamente xiita, 300 pessoas foram mortas nos últimos dois ou três dias", afirmou o porta-voz Abul Hassan al-Salah.
Jornalistas não tinham acesso hoje a partes de Bagdá e não foi possível confirmar as notícias.
O jornal em língua árabe Al-Hayat, baseado em Londres, divulgou que 25 pessoas foram mortas e 50 ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e forças de segurança em Bagdá.
Um comunicado do SCIRI datado de domingo informa que 18 pessoas também foram mortas na cidade de Nasiriyah, 300 km a sudeste de Bagdá, que teria saído do controle do governo e estaria cercada e sendo bombardeada por forças governamentais. Confrontos estariam ocorrendo igualmente na governança de Babel e na cidade de Hilla.
Grupos de oposição iraquianos também têm falado sobre manifestações na cidade sulista majoritariamente xiita de Kerbala.
Taie disse que jornalistas em Bagdá seriam levados amanhã para as províncias sulistas de Misan e Dhi-Qar, onde Nasiriyah está localizada, a fim de observar a situação.
Sadr era um proeminente clérigo xiita cujos sermões de sexta-feira atraíam grandes multidões. Ele veio originalmente de Najaf, uma cidade de peregrinação e ensinamentos religiosos xiitas cerca de 150 km ao sul de Bagdá.
Ele é o terceiro clérigo que se tem notícia a ser morto no Iraque em menos de um ano.
Em Beirute, o presidente do parlamento Nabih Berri, o mais proeminente xiita do Líbano, cancelou um encontro com o ministro do Exterior iraquiano, Mohammed Saeed al-Sahaf, por causa do assassinato.
Mais de 3.000 iraquianos, iranianos e xiitas curdos promoveram um protesto na Síria. E na vizinha Jordânia, que tem muitos imigrantes iraquianos, centenas realizaram uma passeata em memória a Sadr no domingo.
Jornais iranianos divulgaram no domingo que o líder supremo xiita do Irã, aiatolá Ali Khamenei, responsabilizou Bagdá pelas mortes.
O Iraque anunciou que prendeu algumas pessoas envolvidas na morte de Sadr, mas não revelou suas identidades.
No sábado, autoridades iraquianas negaram o relato de uma testemunha à CNN dando conta de protestos na Cidade de Saddam, em Bagdá, onde os estimados dois milhões de habitantes são majoritariamente xiitas.
Jornalistas não tiveram permissão de falar com moradores quando foram levados ao local num comboio oficial horas depois.
Muçulmanos xiitas são 65% dos 22 milhões de habitantes do Iraque e tem havido constantes notícias de conflitos entre eles e o regime sunita do presidente Saddam Hussein - particularmente no Sul, onde forças governamentais esmagaram uma rebelião liderada por xiitas depois da Guerra do Golfo de 1991.





