Iranianos vão às urnas em eleições polarizadas
Teerã, 17 (AE-AP) - Um total de 5.700 candidatos, incluindo cerca de 400 mulheres, disputa amanhã (18) as 290 cadeiras do Parlamento (Majlis) do Irã, em sua sexta legislatura desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá Reza Pahlevi e instaurou um Estado controlado pelos clérigos. As eleições serão fundamentais na luta pelo poder travada entre os moderados, favoráveis a reformas políticas e sociais para a liberalização do sistema, e os conservadores, dispostos a manter a teocracia.
Estão aptos a votar 38,7 milhões de iranianos com mais de 16 anos. Correspondentes estrangeiros avaliam que a campanha eleitoral, iniciada na quinta-feira da semana passada e encerrada hoje, foi a mais livre dos últimos 20 anos e, possivelmente, da milenar história do país.
Os partidários do presidente reformista Mohammad Khatami esperam conquistar a maioria das cadeiras para poder pôr em prática seus projetos de mudança. A disputa está polarizada em duas figuras de forte apelo popular, que almejam a presidência do Majlis: o irmão de Khatami, Mohammad Reza Khatami, e o ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, conservador que se apresentou como independente.
Rafsanjani é conhecido por suas posições pragmáticas: declarou-se favorável às privatizações e à liberalização do rígido código de costumes islâmico. Já o irmão do presidente é uma nova estrela na política iraniana. Impôs-se como líder da esquerda reformista após a prisão do ministro do Interior, Abdullah Nouri, acusado de propaganda antiislâmica.
O Majlis tem poder para introduzir e aprovar leis, convocar e vetar ministros ou o próprio presidente, mas essas atribuições precisam do aval do Conselho dos Guardiães, constituído de clérigos e advogados encarregados de assegurar que os projetos estejam de acordo com a lei islâmica, a Sharia, e a Constituição.
O Comitê Eleitoral recusou 401 candidaturas, na maioria de reformistas, por supostamente não cumprirem os requisitos de que os aspirantes devem ser muçulmanos praticantes, respeitar o regime da República Islâmica e ser leais à Constituição e ao princípio do controle dos poderes religioso e político pelo líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
Os principais grupos reformistas são a Frente Islâmica de Participação do Irã - o mais próximo de Khatami; a Liga dos Clérigos Militantes e o Partido da Construção do Executivo. Entre os conservadores se destacam a Coalizão dos Seguidores da Linha do Imã e do Líder, cujos principais integrantes são a Sociedade dos Clérigos Militantes e a Sociedade Islâmica de Coalizão.
O presidente Khatami pediu na quarta-feira aos eleitores que compareçam em massa às urnas para respaldar seu projeto de reformas. No campo oposto, Khamenei, exortou os iranianos a "desapontar os EUA" escolhendo candidatos devotos da Revolução Islâmica".





