Paris, 13 (AE-AP) - O iraniano Merhan Karimi Nasseri, de 54 anos, finalmente poderá deixar o aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, onde viveu os últimos 11 anos à espera da credencial de refugiado político. Ele obteve o benefício da Comissão para Refugiados das Nações Unidas da Bélgica. "Estamos muito contentes por ele", disse Dominique Deladrier, consul belga em Paris. "Se tivéssemos conhecimento da extenção de seu dilema antes, poderíamos ter concedido a credencial há muito tempo", completou. Nasseri chegou ao aeroporto parisiense em agosto de 1988, depois de perambular pela Europa sem nenhum documento, vítima da burocracia e falta de sorte. O longo período em que passou vivendo nos subsolos do aeroporto acabou por afetar a saúde mental do iraniano. Em 11 anos, Nasseri nunca deixou as dependências do Charles de Gaulle. Philippe Bargain, médico do aeroporto, tem dúvidas de que ele possa deixar o local. "Eu espero que ele embarque logo porque não é normal ou saudável viver nos subsolos de um terminal de aeroporto. Mas o problema é que ele tem medo de partir. Ele acabou se fossilizando aqui", disse o médico que tem tentado ajudar o iraniano. Para Ute Lamberton, funcionário da Lufthansa Airlines, Nasseri é parte do aeroporto. "Ele é como um prisioneiro, que foi informado de que agora está livre após anos de cadeia. Não estou certo de que ele possa viver lá fora", disse. A Comissão para Refugiados das Nações Unidas na Bélgica concedeu à Nasseri o status de refugiado em dois de julho. Os documentos dão ao iraniano o direito de viajar para o país, onde receberá abrigo e orientação de uma organização de ajuda. Nasseri, apelidado de Alfred pelos funcionários do aeroporto, disse que ficou surpreso ao receber a tão esperada credencial das autoridades. No entanto, ele demonstra claramente sua insegurança de deixar a segurança do Terminal 1, onde os funcionários fornecem comida, roupas e trocados e tornou-se uma pequena celebridade entre os passageiros. "Finalmente, eu deixarei o aeroporto", disse o refugiado nesta terça-feira (13), fumando um cigarro no banco onde costuma dormir. "Mas eu ainda estou esperando por um passaporte ou visto de trânsito", acrescentou. Nasseri nasceu em Soleiman, uma parte do Irã então sob juridição britânica, filho de pai iraniano e mãe britânica. Ele cresceu no Irã e partiu para a Inglaterra em 1974 como estudante. Quando retornou ao país natal
ele foi preso por participar de protestos contra o shah e expulso sem um passaporte. Nasseri foi para a Europa onde viajou de uma capital para outra solicitando asilo político. Em 1981, o órgão de refugiados da ONU na Bélgica concedeu a credencial requerida, mas sua pasta contendo o documento foi roubada numa estação de trem de Paris. Depois de sete anos circulando entre Bruxelas e Paris, Nasseri tentou voar para Londres, de onde foi deportado pela polícia de imigração. A polícia francesa prendeu o iraniano, mas como não tinha documentos, não havia nenhum país para onde pudesse ser deportado. Desde então, ele permaneceu no aeroporto Charles de Gaulle.

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