Irã quer ações concretas dos EUA, diz reformista.
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Afshin Valinejad, da AP 
Teerã, 22 (AE-AP) - O mais votado candidato parlamentar do país disse hoje (22) que o Irã espera ações concretas dos Estados Unidos - não apenas belas palavras - a fim de diminuir o muro de desconfiança entre as duas nações.
"Estamos esperando por passos concretos por parte dos Estados Unidos, mais do que palavras bonitas", afirmou Mohammad Reza Khatami quando perguntado sobre sua opinião a respeito da retomada de laços diplomáticos. Este foi seu primeiro comentário sobre a questão desde as cruciais eleições legislativas de sexta-feira.
Mohammad Reza, irmão mais novo do presidente Mohammad Khatami, lidera o maior e mais influente grupo reformista do país, a Frente de Participação do Irã Islâmico.
Num caloroso comunicado no domingo, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James P. Rubin, disse que as eleições iranianas eram um evento histórico, com o povo do Irã demonstrando que quer políticas que ofereça a ele mais liberdade.
Conversações com os Estados Unidos, uma imprensa mais liberal e o aumento das liberdades individuais são alguns dos assuntos que devem ser discutidos pelo próximo parlamento, ou Majlis, que abrirá suas sessões em junho.
Moderados devem tomar o controle do legislativo dos linhas duras pela primeira vez desde que a Revolução Islâmica de 1979 derrubou o xá apoiado pelos EUA e levou ao poder o clero xiita muçulmano.
Os resultados eleitorais estão sendo vistos como um endosso ao programa do presidente Khatami por reformas culturais, sociais e políticas. Os resultados também são uma clara rejeição ao isolamento internacional e a restritas regras impostas pelo clero em nome do Islã.
O candidato Khatami disse que no novo parlamento os reformistas irão trabalhar por uma imprensa livre, mais liberdade de informação e a suspensão da proibição do uso de antenas parabólicas "de forma que permita ao povo maior acesso à informação".
Ele também criticou os Estados Unidos por manter sanções contra o Irã.
"Os Estados Unidos apoiaram o regime totalitário do xá", afirmou ele a repórteres numa entrevista coletiva. "E agora que o Irã tornou-se uma das nações mais livres, eles continuam com sua política de sanções e continuam suas acusações sem base contra o Irã".
As relações dos EUA com o Irã foram rompidas durante a revolução de 1979, quando manifestantes ocuparam a Embaixada dos Estados Unidos e mantiveram 53 americanos como reféns até janeiro de 1981.
Leis americanas prevêm sanções contra qualquer companhia que invista mais de US$ 20 milhões na indústria petrolífera iraniana. Washington acusa Teerã de tentar obter armas nucleares e de se opor ao processo de paz no Oriente Médio.
O candidato Khatami e outros reformistas têm defendido uma détente entre o Irã e os Estados Unidos e alguns têm dito que a questão deveria ser decidida num referendo nacional.
O presidente Khatami também tem defendido trocas de pessoal com os Estados Unidos, mas não chegou a pedir um diálogo.
O clero conservador considera os Estados Unidos arquiinimigos do Irã, tornando a abertura de contatos com Washington uma das questões mais sensíveis.
A maioria dos linhas duras tem estado calada sobre a estonteante derrota eleitoral, mas um destacado ideólogo conservador admitiu a derrota, dizendo que seu campo terá de reconsiderar suas políticas.
"Não iremos mudar nossos princípios e posições, mas é natural que devemos reconsiderar nossas políticas e métodos", afirmou Mohammad Reza Bahonar, um legislador conservador do atual parlamento, segundo notícia publicada hoje.
Ele disse ao diário independente Iran Vij que a coalizão reformista esteve "mais organizada" nas eleições.
Os comentários de Bahonar marcaram o primeiro reconhecimento dos linha-duras de sua derrota. Líderes conservadores têm se recusado a conversar com repórteres.
Entretanto, mesmo tendo sido derrotados nas eleições, os linha-duras ainda detêm o poder através de instituições-chave, como o Conselho dos Guardiães, que tem de aprovar todas legislações. Ainda não está claro se eles usarão esses poderes para bloquear os reformistas e correrem o risco de revoltar a maioria dos iranianos.
Uma imprensa consideravelmente livre - resultado das reformas de Khatami - e transmissões ao vivo das sessões do Parlamento podem inibir o uso por parte dos conservadores de métodos mais duros.
A apuração na capital Teerã terminou hoje, mas os resultados só serão anunciados em dois dias, informou a Agência de Notícias da República do Irã. O candidato Khatami disse que o anúncio formal estava sendo postergado devido ao estudos de recursos e outras questões burocráticas.
Em Teerã, mais de 55% dos votos anunciados até agora foram para Khatami. A Frente de Participação do Irã Islâmico tem 109 cadeiras das 195 decididas por enquanto. Os reformistas como um todo já controlam 141 assentos nacionais, faltando apenas cinco para que tenham maioria simples na câmara de 290 membros.
Os conservadores conquistaram 44 assentos e independentes, 10. Outros 65 devem ser decididos num segundo-turno. Apenas 30 cadeiras em Teerã ainda estão por ser decididas, e os reformistas lideram a contagem em praticamente todas elas, segundo a televisão estatal.


