Belfast, 05 (AE-AP) - Em declarações desafiadoras divulgadas num momento crítico do processo de paz para a Irlanda do Norte, o Exército Republicano Irlandês (IRA) advertiu hoje (05) que não começará a se desarmar em resposta a exigências dos partidos protestantes ou do governo britânico.
Ao mesmo tempo em que insistia que a questão em relação ao desarmamento "pode ser resolvida", o IRA realçou que ele não ocorrerá "sob as condições impostas pela Grã-Bretanha ou pelos Unionistas (protestantes), nem será conseguida por meio de ameaças legislativas britânicas".
A declaração pareceu excluir inclusive um ato simbólico de desarmamento antes da sexta-feira, quando o governo britânico prometeu irá suspender os poderes de governo do gabinete de 12 membros de Belfast.
Numa declaração divulgada pela emissora estatal irlandesa RTE, o proscrito IRA sublinhou sua disposição de "respaldar os esforços visando resolver a questão das armas".
Mas a declaração não indicou claramente se o IRA começará a desmantelar seus arsenais e a cooperar com a comissão de desarmamento como estipulado no acordo da Sexta Feira Santa de 1998.
O governo britânico ameaçou retirar as faculdades do governo da Irlanda do Norte, instalado há oito semanas e que inclui membros do partido Sinn Fein vinculado ao IRA, a menos que este declare claramente sua intenção de desarmar-se.
Em seu pronunciamento, o IRA afirmou que sua atitude não viola nenhum acordo.
"O IRA nunca entrou em nenhum acordo, empreendimento ou entendimento em nenhum momento com ninguém a respeito de nenhum aspecto de desarmamento. (Portanto) não quebramos nenhuma promessa nem traímos ninguém", disse no texto.

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