IRA abandona negociações de desarmamento
Belfast, Irlanda do Norte, 15 (AE-AP) - O grupo Exército Republicano Irlandês (IRA), em resposta à decisão britânica de suspender o gabinete de poder compartilhado da Irlanda do Norte, abandonou hoje (15) as negociações com a Comissão de Desarmamento para o Ulster.
Em um comunicado agressivo, o IRA acusou o governo de Londres e o principal partido protestante da província, os Unionistas do Ulster, de buscar uma "vitória militar" sobre o grupo guerrilheiro.
O Ira também informou que estava retirando suas recentes propostas feitas à comissão de desarmamento, que sugeriam que o grupo estaria preparado para "estocar" suas armas em circunstâncias políticas especiais. Tais propostas foram divulgadas na sexta-feira, horas antes de a Grã-Bretanha suspender o poder do gabinete norte-irlandês.
"Tanto o governo britânico como a liderança do Partido Unionista do Ulster rejeitaram as propostas apresentadas à comissão de desarmamento por nossos representantes (o Sinn Fein). Eles obviamente não desejam um acordo sobre a questão das armas exceto em seus próprios termos", diz o comunicado. "Aqueles que esperam uma vitória militar precisam entender que isso nunca ocorrerá", acrescentou o IRA.
O comunicado contribuiu para aprofundar a crise enfrentada pelos primeiros-ministros britânico e irlandês, Tony Blair e Bertie Ahern, que deverão se encontrar quarta-feira em Londres com os partidos políticos da província para tentar resolver a polêmica em torno do desarmamento do IRA.
Embora ambos governos tenham negado qualquer desavença, a Grã-Bretanha reconheceu ontem que as conversações entre Londres e Dublin foram tensas, depois da suspensão na última semana do poder compartilhado na província.
O líder republicano Gerry Adams fez uma análise sombria do processo de paz depois de se reunir com o secretário britânico para a Irlanda do Norte, Peter Mandelson. "Francamente, foi uma péssima reunião", desabafou o líder do Sinn Fein.
Londres suspendeu o governo de Belfast e voltou a impor sua administração direta na província após afirmar que os guerrilheiros do IRA não tinham chegado a qualquer compromisso claro sobre o abandono das armas.





