IPV mantém alta e sobe 2,05% na primeira semana de junho
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domingo, 13 de junho de 1999
Por José Antonio Rodrigues e Denise Carvalho 
São Paulo, 14 (AE) - Pela segunda semana consecutiva, os preços do comércio varejista na Região Metropolitana de São Paulo subiram. Na primeira quadrissemana (de 30 de maio a 11 de junho), os preços praticados no comércio subiram 2,05%, enquanto na última de maio, segundo o Índice de Preços no Varejo (IPV), subiram 1,38%.
A pesquisa, feita pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), em parceria com a AGÊNCIA ESTADO, também mostra que na semana, a alta foi de 0,86%.
Uma das formas de explicar a alta é pelo conceito ponta-a-ponta, pelo qual os preços do varejo foram "puxados" pelos automóveis (7,15%), eletrodomésticos (4,27%) e vestuário (3,76%). Os alimentos, que caíram 0,36% na variação quadrissemanal, já apresentam os primeiros sinais de alta no ponta-a-ponta de mais 0,13% e no semanal, de 1,45%.
Os preços do comércio já haviam subido na coleta anterior, última quadrissemana de maio, quando ficou positiva em 1,38%. O índice ponta-a-ponta da primeira semana de junho confirma a tendência, registrando 2,31%.
A explicação para essa alta quando os demais índices ainda estão acusando deflação está no fato de o IPV da FCESP-AE medir apenas os preços praticados no comércio de bens (os chamados tradeableas goods) e não incluir na sua coleta os custos de serviços (gastos com transporte, saúde, educação, restaurantes, etc).
Os produtos comercializados no varejo são conhecidos como "tradeables" porque podem ser exportados e importados e têm uma resposta imediata à taxa de câmbio.
Automóveis e eletrodomésticos estão em marcha batida para recompor margens depois da desvalorização do real e os vestuários aproveitam o primeiro inverno em cinco anos para fazer preço nas roupas de frio.
Segundo Fábio Pina, economista da Federação do Comércio, o setor de eletrodomésticos encontrou motivos para elevar os preços para o consumidor porque a reposição dos estoques está mais cara, em razão dos custos dos importados, e porque o mercado apresentou um pequeno reaquecimento. Já os automóveis estavam com os preços deprimidos e perderam parte da proteção que tinham no acordo com o governo.
"A demanda em fevereiro e março estava reprimida por causa do medo do consumidor em relação às condições do governo para resolver os problemas. Atualmente, o mercado está um pouco mais otimista, o que provoca um reaquecimento nas vendas e, logo
um aumento nos preços", avaliou Pina.
O economista explicou que, como a virada da coleção geralmente é mais cara no inverno, ainda há espaço para venda de roupas de frio, daí a alta. Fábio Pina também aposta que a popularidade do presidente Fernando Henrique volte a crescer por causa do novo cenário econômico do País. "Todo desgaste é natural quando o mercado está reticente.
Mas quando a confiança torna-se positiva, mesmo que lentamente, a popularidade do presidente também aumenta", disse Pina.
Agora que o real está mostrando uma nova debilidade em relação à moeda norteamericana, na avaliação do economista Fábio Pina, é provável que o custo da alimentação comece a subir. "O preço da cesta básica começou a cair no final de março quando o câmbio acalmou. Se o dólar voltou a subir, é possível que a pressão sobre o custo de alguns produtos encareça o preço da cesta básica nas próximas semanas", disse Pina.
As maiores contribuições semanais negativas ficaram por conta de móveis e decorações, com -0,09% de baixa, calçados (-2 03%) e autopeças, com -1,2% de variação. O aquecimento do comércio está permitindo pequenos repasses de preços no varejo e alguns setores, ainda com algumas tensões de custo, estão repassando esses custos com pequenos sacrifícios.
Para conquistar a clientela, o comércio continua aceitando cheques pré-datados, que fazem sucesso nas lojas de departamentos e de móveis e decorações, com mais de 70% das vendas. Em compensação, o financiamento por meio de crediário está quase caindo em desuso, atingindo 1,3% do faturamento do comércio de duráveis e 4,3% do comércio em geral.
As vendas com cartão também englobam uma proporção significativa do faturamento das lojas, de 44,2% das vendas das lojas de calçados e vestuário e 27,6% das vendas de artigos duráveis.


