Campinas, SP, 02 (AE) - As cidades brasileiras localizadas em regiões planas, com déficit nas redes coletoras de esgotos, já contam com uma tecnologia nacional para solucionar seu principal problema: a falta de declividade. A maioria das redes instaladas no País depende da força da gravidade para levar o esgoto coletado nas residências e pontos comerciais até as estações de tratamento ou locais de despejo. Sem declive, muitas cidades - do litoral e de fundo de vales, sobretudo - enfrentam problemas na hora de planejar e construir as redes. Ou enfrentavam.
Agora o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, IPT (http://www.ipt.br), lançou o Dispositivo Gerador de Descargas, DGD, que reduz significativamente os custos de implantação e operação das redes coletoras nestas localidades. O DGD promove descargas de esgotos na cabeceira ou em trechos intermediários da rede, originando uma onda de alta capacidade de transporte de sedimentos, essencial para o bom funcionamento da rede coletora por evitar entupimentos. O acionamento das descargas é automático: o DGD prevê tanques alimentados com águas residuais, que ao atingir um determinado nível descarregam todo o seu conteúdo no tubo coletor de esgoto, dando origem a ondas que impulsionam tudo o que estiver no caminho.
"O sistema permite o assentamento de tubulações segundo as menores declividades possíveis, em vista dos sistemas construtivos convencionais, da ordem de 0,05 %, ou seja, a cada 100 metros a tubulação de esgoto se aprofunda somente 5 cm", explica o engenheiro Wolney Castilho Alves, do IPT, responsável pelo projeto.
Em novembro de 1998 Alves acompanhou a instalação experimental de um trecho de rede coletora de esgoto com DGD, no Guarujá, em São Paulo. Só com a redução de trabalhos de escavação, escoramento e reaterro, a economia foi de 20% a 25%. "Se o sistema coletor de baixa declividade, em outras cidades, implicar diminuição ou eliminação de estações elevatória de esgotos, então as vantagens podem ser incomparavelmente maiores. Não só os custos de implantação da obra estariam sendo reduzidos
como também os custos de operação e manutenção durante toda a vida útil da rede seriam diminuídos ou eliminados", argumenta o pesquisador.
O sistema já tem pedido de patente requerido no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) e foi apresentado numa feira de tecnologias de saneamento, no mês de maio, no Rio de Janeiro, onde várias companhias estaduais e serviços autônomos de água e esgoto se interessaram em adotá-lo. Natal, no Rio Grande do Norte, deverá ser a próxima cidade a utilizar o DGD.
O desenvolvimento da tecnologia demorou seis anos, sobretudo pela complexidade dos cálculos de hidrodinâmica e pela necessidade de se criar um programa computacional específico, feito por Wolney Alves. Atualmente trabalham no desenvolvimento e aplicação da tecnologia mais três pesquisadores da Seção de Saneamento Ambiental da Divisão de Engenharia Civil do IPT.
O financiamento inicial foi do British Council e depois da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp (http://www.fapesp.br), e do Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq (http://www.cnpq.br). A companhia paulista de águas e esgoto, Sabesp, interessou-se pela tecnologia e participa da atual fase comprobatória. O investimento total foi de 200 mil dólares.
Maiores informações com Wolney Alves pelo telefone (011) 37674671 ou endereço eletrônico [email protected].

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