Rio, 19 (AE) - O Comando Militar do Leste e o Ministério Público Federal abriram inquérito para apurar as denúncias feitas pelo ex-capitão Dalton Roberto de Melo Franco ao "Jornal do Brasil", nas quais afirma que o Exército teria participado, em 1989, do atentado ao monumento em homenagem aos três operários mortos durante a greve da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1988. O ex-capitão fazia parte do Primeiro Batalhão de Forças Especiais e, segundo ele, recusou-se a cumprir a ordem dada por seu comandante, o então coronel álvaro Pinheiro, para fazer parte do grupo que explodiria o monumento.
O Inquérito Policial-Militar (IPM) será conduzido pelo general Manuel Luiz Valdevez Castro, comandante da Primeira Divisão do Exército. No Ministério Público, o responsável pelo caso é o procurador da República em Volta Redonda (RJ) Wanderley Dantas. O IPM foi instaurado para apurar também outra denúncia feita por Franco, a de que o Exército teria usado informações fornecidas por bicheiros do Rio para eliminar, em 1989, o principal traficante de drogas da cidade, Antonio José Nicolau, o Toninho Turco, assassinado na Operação Mosaico - oficialmente, conduzida pela Polícia Federal.
O ex-capitão contou que o Batalhão de Forças Especiais recebeu explosivos dos mesmos bicheiros - Aniz Abrão David, o Anísio, e Castor de Andrade - para fazer o atentado ao monumento
uma obra de Oscar Niemeyer destruída menos de 24 horas depois de inaugurada. Franco também teria participado da invasão do Exército à usina da CSN.
Segundo ele, já estava infiltrado dias antes entre os operários grevistas. O capitão foi exonerado em 1996, acusado de furtar munição do Exército.

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