O inquérito policial militar que apura a responsabilidade do soldado Joel de Lima Santa Ana, de 38 anos, na morte do agricultor Antonio Tavares Pereira, no último dia 2 de maio, na BR-277, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, deve isentar o policial militar da responsabilidade pelo crime.
A Folha apurou que há dentro da PM um entendimento de que Santa Ana agiu sem excesso, dentro do ‘‘cumprimento do dever legal’’. O que resultará numa pena de um mês de suspensão dos trabalhos dentro do 12º Batalhão da Polícia Militar.
‘‘Administrativamente, esta é a única pena que eu posso prever. Ele precisa de um mês para curar o estresse de toda esta situação. É preciso entender que ele não teve a intenção de atirar e matar o sem-terra’’, concluiu ontem o coronel Elói dos Reis, comandante do Batalhão de Polícia de Guarda (BPG) e presidente do inquérito militar.
Apesar de não acreditar na possibilidade de o tiro que vitimou o sem-terra ter partido de uma outra arma, Elói dos Reis não descarta a hipótese. Ele solicitou a cópia da fita cassete da Folha com o depoimento de Santa Ana para anexar nos autos e está ouvindo dois trabalhadores sem-terra que teriam visto outro policial efetuando o disparo.
‘‘Quem somos nós para duvidar de uma prova pericial?’’, questionou. E observou: ‘‘No entanto, temos dois sem-terra que garantem que o tiro partiu de uma arma curta. Santa Ana estava com uma arma de cano longo.’’
Mesmo que comprovado no inquérito que o tiro saiu da arma do soldado, Reis afirmou que ele apenas cumpriu ordens. ‘‘A Polícia Militar apenas cumpriu ordens do Estado e do próprio secretário de Segurança Pública’’, argumentou. O coronel está analisando qual foi o motivo da morte do sem-terra. Ele trabalha com três hipóteses: imprudência (o soldado pode não ter tido os cuidados necessários para o uso da arma), imperícia ou negligência (ele poderia ter resolvido assumir o risco ao atirar para o chão).
Elói dos Reis deverá concluir o IPM até o dia 22 de junho, quando termina o prazo máximo. Até agora, o relatório já consta de 500 páginas. A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou ontem que o comandante Guaraci Moraes de Barros não falará sobre o assunto até que o inquérito militar esteja concluído.

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