IPI dos carros médios e de luxo pode baixar esta semana
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segunda-feira, 27 de setembro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 28 (AE) - O Imposto sobre Produtos Industrializados dos carros que não são populares poderá baixar assim que o acordo automotivo emergencial terminar, nesta quinta-feira. Uma ampla e concentrada mobilização da indústria automobilística tenta obter do governo a conclusão ainda esta semana da reforma da carga de impostos sobre veículos, projeto que integra a reforma tributária. Se isso acontecer, o impacto da elevação dos impostos no preço dos carros médios, por conta do fim do acordo, será menor que o esperado.
Em reuniões entre governo e representantes da indústria automobilística, ficou praticamente certa a redução da quantidade de alíquotas de IPI de veículos das atuais 13 para não mais do que três. Discute-se, inclusive, a possibilidade de haver apenas duas faixas a partir da reforma. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) anunciou há poucos dias que a alíquota do IPI do carro popular era a única já acertada com o governo.
O IPI do popular deverá se manter em 10%, a mesma alíquota que valia antes do acordo emergencial. No acordo, o percentual foi reduzido para 7%. Isto significa que neste tipo de automóvel o impacto da elevação do imposto, a partir do dia 1º, será inevitável. Mas nos carros médios, que tiveram no acordo emergencial o IPI reduzido de 25% e 30% para 20%, o tamanho dos reajustes de preços vai depender do sucesso na negociação da reforma tributária no setor. Os carros mais caros não foram beneficiados no acordo emergencial, mas integram a reforma tributária.
A conclusão do acordo representará uma revolução para este setor, que passou anos se queixando por ostentar a carga tributária mais alta do mundo. Hoje a quantidade de impostos embutida no preço da média geral dos carros é 38%. Nos modelos populares, a carga tributária é 28%. Se a reforma de impostos no setor automotivo for aprovada na transição do final do acordo emergencial, o reajuste de preços na faixa dos modelos médios poderá ser pequeno.
Ou seja, a alíquota do carro médio poderá subir para uma faixa menor que as anteriores ao acordo emergencial, que eram de 25% e 30%, dependendo da versão. Se a reforma tributária dos carros não sair esta semana, os aumentos de preços devem chegar a 15%.
Com a reforma, a distância de preços entre o popular e os carros médios tende a diminuir. Isto poderá alterar o perfil de consumo de carros no País. Os populares concentram hoje 65% das vendas de automóveis no Brasil. A mesma reforma também pode beneficiar os utilitários e veículos de uso misto, como camionetes, aumentando a demanda por estes modelos.


