São Paulo, 21 (AE) -Os riscos de contaminação radioativa de pacientes com disfunções da tireóide durante tratamento com iodeto de sódio podem ser reduzidos a partir de agosto, quando o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) distribuirá o iodeto em cápsulas para clínicas e hospitais do País semanalmente.
O iodeto de sódio é utilizado para diagnóstico e tratamento de hipertireoidismo e câncer de tireóide. No diagnóstico, o iodeto é injetado no paciente e depois se faz uma leitura da radiação externa semelhante a exames de contraste. No tratamento, o iodeto era utilizado até agora em solução, administrada em pequenos copos e canudos descartáveis, com risco de contaminação radioativa externa do paciente, técnicos e médicos durante o preparo, ingestão e descarte dos frascos. Além disso, há o risco de contaminação ambiental do lixo radioativo, após a administração do remédio.
Com o iodeto em cápsulas a possibilidade de contaminação externa é eliminada e o lixo fica sensivelmente reduzido aos descartes nos laboratórios de produção. A cápsula é de gelatina dura, com um pó contendo a solução de iodeto de sódio. "Tudo isto a um custo apenas 10% maior do que o produto em solução", observa Constância Pagano Gonçalves da Silva, chefe do Centro de Radiofarmácia do Ipen, em São Paulo. Ela espera substituir totalmente a importação de cápsulas semelhantes com a produção nacional, que começa em 15 dias. Atualmente, o País gasta cerca de 350 mil dólares anuais com o remédio importado do Canadá.
A tecnologia de produção do iodeto de sódio 131I, por via seca, já é utilizada nos países desenvolvidos e foi importada pelo Ipen, que desenvolveu novos equipamentos, células de produção e técnicas de preenchimento das cápsulas. Quatro pesquisadores do instituto participaram do desenvolvimento, além de uma grande equipe de técnicos.

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