Rio, 10 (AE) - O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) desenvolveu em laboratório um novo curativo para queimaduras e ulcerações de pele com tecnologia polonesa de irradiação. O medicamento é um gel à base de água que, segundo o instituto, poderá ser fabricado por um custo cinco vezes menor do que produtos equivalentes para esse tipo de tratamento.
Entre as vantagens quanto aos curativos convencionais, o chefe do Departamento de Engenharia Química e Ambiental do Ipen, Ademar Lugão, responsável pelo projeto, destaca o alívio da dor e a redução do tempo de cicatrização.
O fato de o produto ser transparente permite observar a evolução da cicatrização sem necessidade de troca e, por ser macio, flexível e aderente (características do gel), proporciona alívio e protege melhor os tecidos expostos.
De acordo com Lugão, o medicamento acelera o processo de cura por constituir uma "barreira estéril" contra bactérias, reduzindo o risco de infecção. "Esse não é o único produto moderno, mas a vantagem é o preço, porque o curativo pode ser fabricado por um custo cinco vezes menor do que os dos produtos equivalentes", afirma o pesquisador.
Antes de começar a ser comercializado, o novo curativo passará por testes no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Segundo Lugão, existem "entendimentos adiantados" para o estabelecimento de um convênio entre o Ipen e a empresa União Química para a produção do medicamento. As pesquisas para o projeto, que contou com financiamento de US$ 300 mil concedido pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foram iniciadas há quatro anos.
O produto é recomendado para queimaduras de 1º e 2º graus. No caso de queimaduras de 3º grau, recomenda-se a utilização apenas como auxiliar no tratamento. O curativo apresenta medidas de até 50 centímetros quadrados, permitindo aplicação em ferimentos de diferentes extensões.

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