Rio, 01 (AE) - A indústria irá impulsionar o crescimento da economia brasileira este ano. O primeiro boletim conjuntural de 2000 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Orçamento e Gestão, prevê uma expansão de 3,2% para PIB, decorrente de um incremento de 4,7% na produção industrial.
Apesar da recuperação, os números ainda estimam um desempenho menor do que os 4% projetados para o PIB pelo Ministério da Fazenda. Mas, o responsável pelo boletim, Paulo Levy, explica que a previsão do Ipea é conservadora e pode ser revista nos próximos meses. "Precisamos olhar os dados da economia nos primeiros meses, mas a sensação é de que a recuperação do final do ano passado se sustenta ao longo de 2000", avaliou Levy.
O órgão projetou um crescimento de 10% para a indústria em dezembro de 1999 frente ao mesmo período do ano anterior e de 5% na comparação com novembro. Os dados levam em conta o bom desempenho de segmentos como o automotivo, aço, papel e o consumo de óleo diesel.
O reaquecimento da economia levou o instituto a rever sua previsão para o Produto Interno Bruto em 1999. O Ipea trabalha com uma expansão de 0,8%, contra os 0,4% estimados no final de outubro. O setor de agropecuária terminaria o ano com crescimento de 7,7%, o de serviço com incremento de 1,1% e a indústria com queda de 1,4% em sua produção.
O perfil para este ano se inverte. A agropecuária perde importância no PIB, enquanto a indústria aumenta sua participação. Levy aposta em uma expansão de apenas 1,9% para a agropecuária. Já o setor de serviços deve crescer 2,6%, segundo projeções do órgão. "A recuperação da atividade industrial é muito importante para o País, pois tem reflexos em toda a economia", explica o técnico.
O boletim aposta também em uma melhora no cenário externo. O relatório prevê um superávit de US$ 4 bilhões na balança comercial, com as exportações somando US$ 56,6 bilhões e as importações US$ 52 bilhões. Além dos indicadores externos, o estudo projeta também um aumento de 6% no volume de investimentos internos. Em 1999, a taxa apresentou uma retração de cerca de 4%, segundo estimativas do Ipea.