Ipea já prevê resultado positivo do PIB para este ano
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quinta-feira, 30 de setembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 01 (AE) - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério da Gestão e Orçamento, já prevê um resultado positivo para o Produto Interno Bruto (PIB). A pequena recuperação da economia brasileira nos últimos meses levou a entidade a rever seus números: a previsão é de um crescimento de 0,2% este ano, contra uma queda de 0,4% estimada anteriormente. "O resultado do PIB no primeiro semestre foi bem mais favorável", explicou o coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea, Paulo Levy. Ele lembrou que o PIB caiu apenas 0,42% frente a igual período do ano passado, com um declínio menor do que os 1,2% estimados no boletim de julho divulgado pelo instituto.
O cenário projetado para o segundo semestre é de resultados melhores para o setor de serviços e, principalmente, para a indústria. Levy aposta em uma redução no ritmo de queda da produção industrial até o final do ano, com o setor esboçando um reaquecimento. Os números indicam uma retração de 1,3% para a indústria no terceiro trimestre e uma expansão de 0,4% para os últimos três meses do ano. Com isso, o setor encerraria o ano em baixa de 2%, resultado melhor do que a queda de 3,86% verificada no primeiro semestre.
O coordenador explicou que setores da indústria que mais sofriam com a concorrência dos importados estão reagindo, liderando o reaquecimento da atividade econômica. Segundo ele, o processo de substituição dos importados superou as expectativas, com as indústrias de materiais químicos, plásticos e têxtil se beneficiando da mudança na política cambial. "Esses setores perderam muito espaço com a concorrência dos importados, agora estão conseguindo reaver parte do mercado nacional", afirmou. As previsões do Ipea sinalizam que o segmento agropecuário deve repetir o bom desempenho apresentado nos primeiros seis meses do ano, quando cresceu 6,7% frente ao mesmo período de 1998. A expectativa é de que o setor encerre o terceiro trimestre com expansão de 3,4% e cresça 11,5% nos últimos três meses do ano. O resultado seria um incremento de 6,6% na produção no segundo semestre, puxada principalmente pela performance positiva das lavouras, que devem crescer 8,3% no período.
A revisão nos números para o PIB embutem também o reflexo das últimas medidas do Banco Central para diminuir o diferencial entre a taxa básica e os juros cobrados no crédito direto ao consumidor e cheque especial, como a redução nos percentuais de recolhimento compulsório das instituições financeiras. Levy destacou que as redes de varejo já anunciaram corte nas taxas de financiamento ao comércio. "Apesar da trajetória declinante dos juros básicos estar chegando ao fim, existe espaço para uma retomada significativa das vendas à prazo após esses medidas adotadas pelo governo", ponderou.


