Rio, 19 (AE) - O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil vai crescer e o conjunto de medidas para reduzir os juros ao consumidor, anunciado na semana passada, vai estimular ainda mais a recuperação do País. A previsão é de Roberto Borges Martins, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério da Gestão e Orçamento.
Martins lembrou que o bom desempenho da economia no terceiro trimestre levou o Ipea a rever sua previsão para o PIB para este ano. O instituto já trabalha com crescimento em torno de 0,4%, resultado melhor do que a queda em torno de 0,5% estimada no final do primeiro semestre. "O desempenho da economia pode ser ainda melhor com o estímulo provocado pela esperada queda dos juros", explicou. "Isso vai dar um empurrão a mais."
Apesar da projeção positiva, Roberto Martins destacou que esse crescimento não será suficiente para diminuir a desigualdade social no Brasil. A solução desse problema estaria em investimentos maciços no setor de educação. "Isso proporcionaria condições iguais aos brasileiros para disputar o mercado de trabalho", disse. Ele lembrou que o País gasta cerca de 21% do PIB em projetos sociais, mas que a maior parte desses recursos não atinge as camadas mais pobres. "O governo gasta mal seu dinheiro", sentenciou. "É preciso redesenhar seus programas para atender a demanda da população carente."
A pressão no dólar não preocupa o presidente do Ipea. Segundo ele, a alta não será suficiente para comprometer o sistema de metas de inflação do governo. A estimativa é de que os índices de preços ao consumidor encerrem o ano entre 7% e 8%, dentro das previsões da equipe econômica. Martins ponderou que o patamar de R$ 2,00 exerce um fator mais psicológico do que econômico entre os agentes econômicos. "Essa variação é uma consequência de quem adota a taxa de câmbio flutuante como política", afirmou após um seminário sobre políticas sociais promovida pelo instituto e pela fundação Konrad Adenauer.

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