Curitiba - Um comunicado divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) confirma o que outros estudos já vinham apontando: as regiões metropolitanas brasileiras vivem um processo de descentralização. Esse fenômeno se manifesta de duas formas, segundo o Ipea.
Em primeiro lugar, as nove principais regiões metropolitanas brasileiras, aquelas criadas através de leis federais na década de 1970 e que possuem mais homogeneidade, estão crescendo mais na periferia do que no município-sede. De acordo com dados do Censo trabalhados pelo Ipea, das nove RMs citadas, apenas a do Rio de Janeiro teve crescimento maior de população no município-sede do que nos municípios vizinhos entre 2000 e 2010.
Em Curitiba, por exemplo, a taxa de aumento populacional por ano foi de 0,96% na década, enquanto a taxa média na RMC foi de 1,36%. O Ipea aponta que esse fenômeno gera desafios para os sistemas de mobilidade das metrópoles (veja box).
A segunda forma de descentralização ocorre no incremento da importância das regiões metropolitanas de médio porte. O Brasil tem ao todo 39 RMs, entre as criadas por leis federais e estaduais. Na década passada, apenas 10 delas tiveram taxa média de crescimento anual de população inferior à média nacional das regiões metropolitanas, que foi de 1,17%. Dessas 10, cinco (Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre) integram o grupo das RMs ''tradicionais'', ou seja, as criadas por leis federais nos anos 70.
No Paraná, todas as RMs tiveram crescimento acima da média nacional. A RMC, que é uma das nove regiões metropolitanas criadas por leis federais, teve crescimento médio de 1,36% ao ano. As RMs de Londrina e Maringá, instituídas por leis estaduais, tiveram aumento populacional médio de 1,2% e 1,7%, respectivamente.
O advogado Thiago de Azevedo Pinheiro Hoshino, integrante do Observatório de Políticas Públicas do Paraná, acredita que o grande desafio das metrópoles de tamanho médio será acertar onde as grandes falharam. ''O Brasil está se tornando ainda mais urbano e as cidades intermediárias vão ter que estar preparadas para receber levas de novos habitantes, sem gerar segregação social e déficit de serviços públicos'', afirmou.

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