IPCA indica inflação de 0,19% em junho
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 9 (AE) - A inflação de junho foi de 0,19%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), taxa calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que foi escolhida para determinar a meta de inflação anual que deve ser obtida pelo Banco Central (BC). No primeiro semestre, o IPCA acumulou variação de 3,96% - quase metade da meta de 8% de inflação deste ano, fixada pelo Ministério da Fazenda.
A taxa de junho ficou abaixo da de maio, que chegou a 0 30%. O motivo foi a queda mais intensa dos preços dos alimentos, de 1,28%, contra a redução de 0,95% no mês anterior. O aumento dos preços controlados e dos medicamentos, no entanto, impediu que fosse registrada deflação pelo IPCA, que mede a variação do custo de vida para famílias entre um e 40 salários mínimos, em nove regiões metropolitanas, além de Goiânia e Brasília (DF).
Os reajustes de energia elétrica (6,97%), telefone (2 23%), gás de bujão (2,10%), produtos farmacêuticos (1,92%) e ônibus urbano (1,18%) contribuíram com 0,27 ponto porcentual do resultado do IPCA do mês passando. O aumento da gasolina, por ter entrado em vigor no fim do mês, teve pouco impacto, e o custo do produto aumentou apenas 0,84%, resultado menor do que o de maio, de 3,27%.
Nova alta - "O resultado destes aumentos influenciou em junho e deve continuar a influenciar neste mês", avisou a técnica do IBGE Eulina Nunes dos Santos, na divulgação dos índices de inflação. Sobre o repasse deste reajuste para o valor de outros preços, a técnica afirmou apenas que o fenômeno não tem ocorrido, depois do início do Plano Real.
"Os aumentos têm sido localizados", lembrou. Eulina e a chefe do Departamento de Sistemas de Índices de Preços, Márcia Quintslr, afirmaram que as informações do instituto não confirmam a redução da oferta dos produtos agrícolas, que causaria o aumento dos preços destes produtos. O aumento foi previsto pelo chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), Paulo Sidney Melo Cota, ao divulgar as taxas de inflação de junho medidas pela fundação.
Em julho, de acordo com as economistas do IBGE, a influência dos reajustes que tiveram maior impacto no IPCA do mês passado deve continuar, com impacto de 0,40 ponto porcentual sobre a taxa. As duas não quiseram fazer previsões sobre qual será a taxa de inflação anual, mas Márcia lembrou que, tradicionalmente, o segundo semestre tem apresentado índices de custo de vida menores do que na primeira metade do ano.
INPC - A inflação de junho foi de 0,07%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O índice mede o custo de vida para famílias com renda entre um e oito salários mínimos mensais. O resultado foi apenas 0,02 ponto porcentual acima da taxa de maio, pelas mesmas razões que influenciaram o IPCA.
A região metropolitana de Recife, em Pernambuco, foi a que registrou a maior inflação entre as áreas pesquisadas, de 0 71% pelo IPCA e 0,59% pelo INPC. Os índices de São Paulo ficaram abaixo da média, alcançando 0,12% no IPCA e 0,02% no INPC. A inflação acumulada do primeiro semestre na Capital chegou a 3 50% - também abaixo do índice total, de 3,96%. Eulina explicou que, como o custo de vida paulista já é alto, ñão havia espaço para novos aumentos, desde a desvalorização do real.


