IPCA de 0,62% em janeiro surpreende técnicos do IBGE
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 10 (AE) - A taxa de inflação surpreendeu neste início do ano, e reacendeu as expectativas do mercado em torno de uma queda dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,62% em janeiro e registrou alta de apenas 0 02 ponto percentual em relação a dezembro.
A taxa, calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), serve de referência para o sistema de metas de inflação do governo. A gerente do Sistema de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes, explica que os alimentos foram os grandes responsáveis pela estabilidade na inflação em janeiro. Os produtos subiram 0,84%, abaixo dos 1,41% registrados no mês anterior.
O recuo refletiu a deflação de 2,45% nos preços dos cereais, leguminosas e oleagenosas, e de 0,68% nas carnes. Tradicionalmente, explica a técnica do IBGE, os preços desses produtos caem no início do ano por conta de efeitos estatísticos. Já os produtos não alimentícios acumularam alta de 0,56%, superior em 0,19 ponto percentual à registrada no mês anterior. A pressão veio dos gastos com educação, que pularam de 0,46% para 3,05% no período.
O IBGE divulgou hoje, também, o Índice de Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de janeiro, que ficou em 0,61%, inferior em 0,13 ponto percentual à taxa verificada no mês anterior.
O cenário positivo para a inflação levou o mercado a rever suas projeções para os índices de preços em 2000. O Lloyds Bank TSB acredita que a inflação possa ficar cerca de meio ponto percentual abaixo da taxa projetada no final do ano passado. O economista-chefe da instituição, Odair Abate, trabalha com uma taxa entre 0,3% e 0,4% para os próximos dois meses.
O único risco, segundo ele, é o governo aproveitar o período de inflação baixa para recompor preços como o dos combustíveis. "Foi exatamente isso o que ocorreu no ano passado", afirmou. "Não se pode esquecer que o preço do petróleo continua batendo recorde de alta no mercado internacional."
A desaceleração na alta dos índices de preços abriu espaço para um corte na taxa de juros, na opinão de Abate. "Se não houver redução, pelo menos, o governo deve sinalizar com uma mudança no viés", previu.
O executivo da Mercatto Paulo Veiga pondera, porém, que a tendência de alta de juros na Europa pode inibir um movimento mais ousado do governo no primeiro trimestre. "A equipe econômica pode preferir adotar uma postura mais cautelosa por enquanto", afirmou.
Veiga alertou que a inflação pode subir no segundo trimestre e ameaçar as metas trimestrais traçadas pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Será uma alta pontual, não vejo problemas para o resultado do ano", avaliou o executivo.


