IPCA aumenta 0,22% em março
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 11 (AE) - A inflação aumentou 0,22% em março, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - usado para medir as metas de inflação fixadas pelo Ministério da Fazenda para serem atingidas pelo Banco Central (BC). A taxa foi superior à de fevereiro, de 0,13%, por causa do aumento do combustível e de outros produtos e serviços do setor de transporte, que foram compensados pela redução dos preços dos alimentos.
Com o resultado de março, a inflação acumulada nos primeiros três meses do ano chegou a 0,97%. A alta acumulada nos últimos 12 meses ficou em 6,92%. O índice é inferior à taxa de 7 5% de inflação acumulada neste período, fixada como meta de desempenho para ser atingida no fim do primeiro trimestre, como ficou acertado entre o governo federal e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O IPCA de março foi pressionado pelo aumento de 4,89% da gasolina nos postos de combustível, responsável por 0,17 ponto porcentual no resultado final do índice. O reajuste para os consumidores, no entanto, foi inferior ao reajuste médio de 7% do combustível nas refinarias, lembrou a economista Eulina Nunes dos Santos, do IBGE.
Com o aumento da gasolina, das tarifas dos ônibus, de 9 33% no Rio e de 7,35% em Curitiba, de 0,33% das motocicletas e de 2,23% dos automóveis usados, a variação total do grupo de serviços e produtos de transporte chegou a 1,68%. Eulina lembrou que parte do reajuste dos ônibus no Rio ainda vai influenciar a composição do IPCA deste mês.
O impacto destes reajustes foi diminuído pela continuação da queda de 0,46% do preço dos alimentos, maior do que a deflação de 0,25% do mês anterior. Por causa da boa safra e das condições climáticas, os alimentos vêm segurando a inflação desde janeiro, lembrou Eulina, quando o aumento de 0 84% foi inferior à alta de 1,41% de dezembro.
A economista não quis prever qual será o comportamento dos preços dos alimentos neste ano. Mas lembrou que, em 1999, a cotação destes produtos caiu entre abril e julho, por causa da boa safra. "A safra deste ano parece tão boa quanto a do ano passado", acrescentou Eulina.
Ela lembrou que não se pode fazer uma comparação tão direta, por causa da desvalorização do real e da queda dos preços dos produtos agrícolas no mercado internacional em 1999.
Outra queda de preços importante foi a registrada no vestuário pelo IBGE. Os preços caíram 1,44%, e, em fevereiro, haviam recuado 0,67%.
"As liquidações, que começaram em janeiro, continuam", constatou Eulina. Ela afirmou que, ainda em abril, se o clima quente continuar, os preços das roupas devem continuar caindo. A economista do IBGE chamou a atenção para a queda de 0,36% no preço dos aluguéis. "Embora a redução seja pequena, o peso do aluguel é de 5,37% no total do IPCA", explicou.


