Rio, 10 (AE) - A inflação apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,56% em agosto, acumulando no ano uma alta de 5,68%. A gasolina e os preços públicos continuam sendo os grandes vilões da taxa, que mostrou o início de uma tendência declinante neste segundo semestre. O índice caiu pela metade em relação a julho, mas a disparada do petróleo no mercado internacional reacendeu o temor de novos aumentos na economia.
O governo é enfático ao descartar novos reajustes, mas analistas temem que a Petrobrás não consiga manter os preços estáveis por muito tempo se trajetória de alta continuar no exterior.
O medo não é à toa. Apenas a gasolina representou pouco menos do que um terço da inflação medida no período. Em julho, o impacto foi ainda mais significativo, com o produto respondendo por 42% do IPCA, que serve de referência para o novo sistema de metas de inflação lançado em junho.
Segundo a gerente de Sistemas de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes, a única variável que pode afetar significativamente o comportamento da inflação é um novo aumento dos combustíveis no Brasil.
Já o diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, contestou rumores de que o governo possa abrir mão do controle da inflação e liberar novos reajustes dos combustíveis. "O próprio presidente já negou."
Werlang comemorou a queda da inflação em 0,53 ponto percentual entre julho e agosto. "A taxa se comportou como nós prevíamos", afirmou. "As altas foram localizadas e não se espalharam pela economia."
O diretor explicou que o impacto do reajuste dos combustíveis e das tarifas públicas responderam juntos por uma pressão extra de apenas 1,2 ponto percentual no último trimestre. Ele explicou, porém, que o sistema fixou como meta inflação de 8% para este ano, mas permite uma margem de erro de dois ponto percentual para cima ou para baixo. "O intervalo de tolerância foi feito justamente para acomodar choques de ofertas."
Não existe risco do governo não cumprir a meta deste ano
na opinião de Werlang. "Nossa previsão não mudou", disse. A taxa acumulada pelo IPCA até agosto mostra que já foram consumidos 71% da meta para este ano.
A economista do IBGE prevê um período de taxas mais baixas para os próximos meses, abaixo dos 0,56% verificados em agosto. "O impacto dos reajustes dos combustíveis e das tarifas públicas já foram diluídos e a tendência agora é de menos pressão no custo de vida", avaliou.
Segundo Eulina, a queda da renda dos assalariados desencadeada pela desvalorização cambial está impedindo que a alta dos preços no atacado seja repassada integralmente ao consumidor.
"O reajuste dos combustíveis pode ter um impacto localizado, como ocorreu nos últimos dois meses", explicou. "Não foi detectado aumentos em cascatas por conta do produto."
Setores - Os dados divulgados hoje pelo IBGE mostram que os artigos de vestuário tiveram nova deflação em agosto. A queda de 0,12% nos preços refletiu o período de liquidações da coleção outono-inverno.
A pequena alta de 0,13% nos preços dos alimentos, registrada após quatro meses consecutivos de declínio não preocupa. Segundo ela, a variação é apenas um reflexo do final do período de colheita. "Trata-se mais de uma recuperação do que propriamente uma elevação de preços", ponderou.

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