São Paulo, 19 (AE) - O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) poderá registrar deflação em maio, depois de quatro meses consecutivos de alta. A última deflação ocorreu em dezembro do ano passado (-0,12%), antes das mudanças no câmbio, que provocaram pressões inflacionárias nos preços.
"A deflação está de volta", afirma o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo. Diante do cenário mais positivo da economia, ele argumenta que a deflação está sendo provocada pelo recuo da cotação do dólar, que está puxando para baixo os preços. "Voltamos ao padrão anterior à desvalorização do câmbio e o principal efeito da mudança cambial já foi sentido", afirma o economista.
Heron decidiu rever pela segunda vez neste mês as projeções para maio, depois do resultado surpreendente obtido na segunda prévia do mês. Na segunda quadrissemana de maio o custo de vida do paulistano foi 0,12%, com queda de 0,23 ponto porcentual em relação à primeira prévia do mês.
O resultado da segunda prévia de maio foi influenciado especialmente pelos alimentos e pelos artigos de vestuário. Inicialmente, a estimativa era de um IPC de 0,6% para maio, que foi reduzida para 0,35% na semana passada. Em maio do ano passado, o IPC registrou inflação de 0,52%.
Para junho, a expectativa agora é que o IPC fique em 0 30%, ante a previsão inicial de 0,35%. "O IPC acumulado no primeiro semestre deverá ficar abaixo de 3,5%", diz o economista.
Apesar de ter revisto as projeções para maio e junho, Heron acha que é cedo para recalcular as estimativas para o ano, de 6% a 7%. Ela pondera, no entanto, que esse índice é o teto das previsões e só será atingido caso ocorram geadas ou alguma escassez de produtos agrícolas no último trimestre. Entre julho e setembro, o economista mantém a previsão de deflação ou de uma taxade inflação muito baixa.
Na sua análise, a economia brasileira está entrando num "círculo virtuoso", denominado pelos economistas com o início de uma fase de recuperação. O fundamental agora, argumenta, é fazer o acerto fiscal, reduzir os juros e os compulsórios do crédito. "Se ocorrer um descontrole nas finanças públicas, pode-se colocar tudo a perder", enfatiza.
Segundo Heron, mesmo com o aumento no nível de atividade
detectado nas últimas semanas por outros indicadores econômicos
os preços não estão sendo afetados. Na sua opinião, não estão ocorrendo pressões por aumentos e sim um recuo no ritmo dos reajustes, porque a ociosidade das fábricas e da mão-de-obra é grande.
"Estávamos numa crise profunda, agora numa relativa estagnação", diz ele, argumentando que a recuperação no consumo pode dar ganho de escala para produção, sem afetar os preços de impostantes setores, como o eletroeletrônico e o automobilístico.
Na avaliação do coordenador do IPC da Fipe, com a atual capacidade de produção disponível, a economia brasileira poderá crescer 4% ao ano sem comprometer as contas externas.

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