IPC ficará próximo a "core inflation" em 2000, diz Fipe
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terça-feira, 14 de dezembro de 1999
por Rita Tavares 
São Paulo, 14 (AE) - A partir da aplicação de sua nova metodologia de apuração em janeiro de 2000, o IPC, calculado pela Fipe-USP, ficará mais próximo ao núcleo da inflação (core inflation), porque estará menos suscetível às flutuações de preços dos produtos que apresentam fortes choques de oferta, como petróleo e produtos agrícolas. A avaliação é do coordenador do IPC, Heron do Carmo. A Fipe, de acordo com Heron, não pretende divulgar um índice de inflação expurgado.
Desde a adoção do sistema de metas inflacionarias, governo e economistas discutem o uso de um índice expurgado, que não registrasse variações sazonais. Não há, no entanto, um índice de preços nacional que calcule o chamado núcleo da inflação - a parcela do índice que registre apenas a tendência inflacionária.
Ao explicar hoje a nova metodologia do IPC a analistas do mercado financeiro, Heron disse que os serviços passarão a ter um peso maior na composição do índice do que produtos. Houve uma redução no peso dos produtos - de 59,84% para 50,06% - e um aumento na participação dos serviços, que passaram de 40,15% para 49,94%. "Assim, o IPC ficará menos sujeito às variações da taxa de câmbio a curto prazo", disse Heron do Carmo, já que os "tradables" terão menor peso no cálculo do índice.
Outra alteração significativa, segundo Heron, é a redução do peso dos alimentos não industrializados no cálculo do IPC. Passou de 16,46% para 10,92%. "Isso deve tornar o índice mais estável, com menor volatilidade, à medida que o IPC ficará menos sujeito a choques de ofertas", afirmou, citando, como exemplo, o forte impacto que a alta do preço das carnes trouxe ao índice neste último trimestre de 1999.
Em contrapartida, os serviços públicos e privados, que ganharam maior peso no IPC, indicam que o índice ficará mais dependente de itens regulados por contratos e também pelas regras de reajustes estabelecidas nos contratos de concessões dos serviços públicos. Assim, de acordo com Heron, um reajuste médio de 12% nas tarifas dos serviços públicos implica numa alta de 2% na inflação. Os contatos dos planos de assistência médica e das mensalidades escolares são itens que demonstram a importância dos serviços na nova composição do IPC.


